Nutrição e doença celíaca

O tratamento principal dos pacientes celíacos é a alimentação com total ausência de glúten, a qual deve ser seguida por toda a vida.

A doença celíaca é uma enteropatia crônica do intestino delgado, de caráter autoimune, desencadeada pela exposição ao glúten (principal fração proteica presente no trigo, centeio e cevada) em indivíduos geneticamente predispostos. A falta de informação sobre a doença e dificuldade de acesso aos meios diagnósticos reduzem as possibilidades de tratamento adequado e consequente melhora clínica. Estudos revelam que o problema atinge pessoas de todas as idades, mas compromete principalmente crianças de 6 meses a 5 anos. Também foi observada uma frequência maior entre mulheres, na proporção de duas mulheres para cada homem.

Essa doença pode se manifestar de maneiras distintas, sendo classificada como clássica, não clássica e assintomática. A clássica ocorre na infância, entre o primeiro e terceiro ano de vida, onde já nas primeiras alimentações, a criança apresenta diarreia, anemia e desnutrição, e se não diagnosticada a doença pode causar deficit de crescimento e até mesmo levar ao óbito. A forma não clássica, surge com manifestações isoladas, onde os sintomas referentes ao intestino são menos evidentes e o paciente pode ter apenas anemia sem causa identificável, infertilidade, deficit vitamínico, osteoporose, entre outros sintomas. A assintomática só é identificada caso o paciente faça exames devido a parentes que possuam a doença.

Para o diagnóstico correto da doença é necessário a realização de exames laboratoriais, como anticorpos antigliadina, antiendomísio e antitransglutaminase que se forem positivos sugerem a doença celíaca. Embora sejam exames confiáveis, não são suficientes para confirmar a doença. O diagnóstico é confirmado por biópsia do intestino delgado.

O tratamento principal dos pacientes celíacos é a alimentação com total ausência de glúten, a qual deve ser seguida por toda a vida. Quando inicia-se a alimentação sem glúten, alguns pacientes têm uma melhora imediata, porém outros observam os benefícios ao longo do tempo após a retirada o glúten. Pessoas celíacas que continua ingerindo alimentos com glúten, apresenta o risco de desenvolver outras doenças, como problemas na tireoide, doenças do fígado, rins, pele e até mesmo câncer.

Existe uma condição chamada de sensibilidade ao glúten. São pacientes que nitidamente percebem sintomas gastrointestinais quando ingerem glúten, percebem melhora quando fazem restrição da proteína, mas quando são investigados não preenchem os critérios necessários para o diagnóstico da doença celíaca. Para esses pacientes a orientação é reduzir a ingestão, mas sem necessidade de restrição total, porque essas pessoas não apresentam risco de desenvolver as complicações da doença celíaca não tratada.

Portanto, as dietas com restrição total ou parcial de glúten são específicas para esses pacientes, que possuem a doença ou a sensibilidade comprovadas por exames.

Renata Dessordi

Renata Dessordi é nutricionista formada pela Universidade de Ribeirão Preto, especialista em Nutrição Clínica e Esportiva. Mestra em Alimentos e Nutrição pela Unesp. Doutoranda em Alimentos e Nutrição pela USP/Unesp. Auriculoterapeuta Francesa.

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