Minimalismo

Apesar de ter muitas coisas percebia que usava sempre as mesmas. A gente cria um hábito, um estilo e uma cartela de cores, perceba isso

Minimalismo não se trata de uma vida pobre e sem abundância ou contra o capitalismo. Essa filosofia se trata de levar uma vida mais leve, com mais tempo, mais energia, mais dinheiro guardado, ou melhor, investido, uma vida com mais qualidade e menos acúmulo. Você não precisa viver com um armário cápsula contendo uma peça de roupa para cada dia da semana, apenas. A não ser que isso lhe faça feliz, aí tudo bem. Essa filosofia vai muito além disso. Trata-se de um autoconhecimento profundo. De entender o que realmente é importante em sua vida e o que se torna supérfluo. Quero compartilhar um pouquinho da minha experiência nessa jornada, quem sabe inspiro alguém positivamente de alguma forma. Ou, quem sabe, como vou ler e interpretar esse meu próprio relato daqui 1 ano?! Espero que muito diferente de hoje. Evolução!

Sempre fui uma pessoa afundada em contas, boletos e problemas financeiros. Falta de fluidez. Ao longo do meu processo terapêutico tratava isso pontualmente e as evoluções foram surgindo. Porém, cheguei a um ponto de esgotamento emocional pelo excesso. Como eu tinha muita coisa! Coisas materiais, mas um sentimento de vazio enorme. Sapatos? Mal podia contar. Roupas? De vários modelos e estilos. Uma grande variedade de maquiagem e cores. Com os livros quase cheguei ao ponto de comprar uma estante extra para acomodá-los. Mas ainda assim faltava algo. Algo que o dinheiro não pode comprar, porém, para os momentos de “alívio”, um shopping e suas promoções sempre estavam lá.

Apesar de ter muitas coisas percebia que usava sempre as mesmas. A gente cria um hábito, um estilo e uma cartela de cores, perceba isso.  Mudamos nosso corpo e nossa mente com o passar do tempo e o que era legal, agora já não é mais. Constantemente fazia um limpa em meu armário, mas ainda assim não era o suficiente, porque ao mesmo tempo em que eu tirava muitas coisas eu também comprava muitas coisas. De uns tempos para cá adaptei uma regra simples: 1 por 1. Se entrar uma peça nova, automaticamente precisa sair outra. Ou se não usei em um ano, não usarei mais.  Se não for mais meu tamanho ou estilo, terá serventia para outra pessoa. Quanto aos livros, doei praticamente todos, ficando apenas com os de estudo, pois esses são livros sem prazo de validade. Os livros de contos, que eu conheço muito bem as histórias, certamente não vou ler mais, enquanto outra pessoa sim.  E dessa forma as coisas fluem. Troquei uma mala lotada de semijoias e bijuterias por um potinho simples de fácil acesso aos meus olhos. Troquei quantidade por qualidade e essas vou poder usar e abusar que elas vão durar muito e muito tempo. Troquei inúmeros batons por 3 cores que combinam comigo e minha rotina. Troquei muitos saltos por poucos e mais tênis confortáveis que cabem muito bem no meu estilo de vida e rotina.

O minimalismo não está presente somente em coisas materiais, ele faz parte do nosso ser. Substituí baladas lotadas e noites em claro por um bom descanso, poucas e boas cias e valorizo as boas refeições. Substitui os inúmeros grupos no Whatsapp pelos contatos realmente valiosos e encontros pessoais. Limitei o tempo gasto online (que era e continua sendo muito) por 30 minutos diários. Com isso ganho mais liberdade, privacidade e volto minha atenção para quem eu realmente quero que saiba detalhes simples ou valiosos sobre mim. Comecei a me enxergar de forma diferente, não como uma vitrine de exposição de vida perfeita, mas com reflexões em meditações realizadas no meu canto, com meu eu.

Algumas coisas eu ainda “acumulo”, porque gosto e fazem parte do meu ser. Amo minha profissão e tenho minhas coleções relacionadas a ela, e tudo bem! Não vou reduzir minha coleção de taças de cerveja por duas ou três, JAMAIS. Descobri o que me faz feliz e isso me dá prazer em ter, organizar e quero investir meu dinheiro e minha energia nessas coisas. E tudo bem! Meu grande problema era que eu tinha muito de tudo e não tinha a menor necessidade disso, na real, era sufocante. Para conseguir diminuir coisas me imagino realizando meu sonho de mudança e fazendo grandes viagens e penso: preciso ter o suficiente que caberia em minhas malas sem que eu perca o conforto e ainda assim seja fácil de carregar. E assim vou me adaptando. É libertador. Eu sou livre e não preciso de muitas coisas para ser!

O gostoso da vida é o autodescobrimento. Refletir a que viemos, para onde queremos conduzir nossa jornada e o que realmente importa. Geralmente essas descobertas acontecem depois de um período de dor e sufoco. Por isso, digo: não reclame pelos maus tempos, agradeça! A mudança que você pode descobrir após um período turbulento pode ser incrível. Resiliência. É isso!

Só quero deixar claro que eu não sou terapeuta, não sou evoluída como Buda ou Jesus Cristo ou qualquer outra entidade plena de luz. Sou uma mera pessoa caminhando e buscando melhoria contínua, ainda que pequena, um passo por vez. Com a consciência de que falta muito e tudo bem, a caminhada é longa, mas eu não tenho pressa.  E isso me traz paz.

Namastê!

Karina Hauch

Publicitária e beer sommelière. Apaixonada por cerveja, fábricas e mundo cervejeiro. Adora conhecer novos rótulos e experiências gastronômicas. Sonha viajar o mundo em busca de cervejarias e acumular experiências em horas-copo.

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