Entre a ciência e o deboche

Leia a quarta crônica da jornalista e escritora, Matilde Leone.

O desconhecido nos amedronta. A morte e a vida, dois eventos, por assim dizer, unidos por um fio invisível, continuam sendo os grandes mistérios da humanidade desde o princípio, embora seja difícil – até agora – saber quando e como foi o princípio. No início era o Verbo, diz a primeira frase do livro de Gênesis relatando a criação do mundo. O verbo sugere várias interpretações. O que seria o verbo?

Darwin – e não somente ele – discorda, com uma teoria que o Cristianismo abomina. Mas, agora, talvez James Webb possa trazer novas informações para o polêmico embate entre a ciência e a religião. Ou, quem sabe, mostrar alguma convergência.

Lançado no dia 25 de dezembro de uma base da NASA na Guiana Francesa, o maior telescópio espacial já construído até agora, poderá enxergar as primeiras galáxias que se formaram no início do Universo. E isso não é pouca coisa. É um trabalho de 25 anos, centenas de astrônomos, união de vários países e muitos bilhões de dólares.

Foto: Divulgação

Enquanto James Webb desfaz suas dobras como as de um origami no espaço para atingir seu tamanho, aqui na Terra, há quem continue ignorando a expertise da Ciência; criaturas arraigadas ao obscurantismo, alheias ao desenvolvimento, que não conseguem entender para que serve uma vacina, essa gota ou pequena dose de líquido capaz de salvar vidas, muitas vidas, milhares, milhões… É o descompasso entre o progresso e o atraso, sempre com quilômetros de distância.

Além da ignorância e da arrogância, o que mais pesa é o deboche. E isso não há ciência que resolva.

Matilde Leone

Maria Matilde Leone é jornalista e escritora, formada pela Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, SP, em 1985. Trabalhou em diversos veículos de imprensa como redatora e editora, tais como jornais, revistas e de televisão como EPTV, afiliada da Rede Globo. Foi docente de jornalismo na UNICOC em Ribeirão Preto e na Unifran, na cidade de Franca. É autora de Sombras da Repressão, o Outono de Maurina Borges, publicado pela Editora Vozes; A Caixinha do Nada, editora Coruja, Theatro Pedro II – 80 anos, editora Vide. Editora e revisora de várias publicações.

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