O poder da música

No último dia 29 de agosto escrevi aqui uma matéria intitulada “Pra que música?”, fazendo um breve histórico do surgimento da música como linguagem tal qual a conhecemos hoje da sua função no mundo. Conforme prometido naquela ocasião, hoje faço mais algumas reflexões sobre o assunto.

A ideia do título “Pra que música?” era exatamente cutucar o senso comum provocando reflexões com questionamentos como “qual a utilidade da música no mundo?”, “porque o ser humano faz música?”, “desde quando o ser humano faz música?”, ”quais mudanças ocorreram nesse fenômeno ao longo da história?”. São perguntas intrigantes e longe de pretender dar uma resposta definitiva ou única para elas, minha intenção é apenas refletir juntamente com o leitor e revelar algumas das minhas percepções pessoais.

Uma única e grande certeza que podemos ter é que o ser humano aprecia fazer e ouvir música desde nossa pré-história e esse é um fenômeno universal, independentemente de nacionalidade, raça, sexo, idade, religião, sistema político ou qualquer outra classificação que se queira usar. Essa universalidade é exatamente um dos aspectos mais interessantes do poder da música.

Há pouco mais de dois anos, trabalho como guitarrista de orquestras tocando por mares de várias partes do mundo em companhias de navios de cruzeiro. Uma das coisas mais fascinantes no meu trabalho é interagir e tocar com músicos de diferentes nacionalidades e culturas e perceber claramente e de forma muito concreta, o quanto a música realmente é uma língua universal e sem barreiras.

Na minha atual banda, por exemplo temos músicos de diferentes partes do mundo, Coreia do Norte, Porto Rico, Inglaterra, Escócia, Ucrânia e eu do Brasil. Mesmo o idioma oficial a bordo sendo o inglês para facilitar a comunicação, o poder de comunicação universal da música é muito maior. Quando estamos no palco tocando, posso dizer que “falamos a mesma língua” e isso é incrível.

Muitas pessoas no mundo perceberam esse aspecto universal e sem fronteiras da música e usam isso para criar pontes de paz, unindo pessoas, proporcionando diálogos, aproximando corações, proporcionando compreensão e tolerância mesmo entre povos historicamente inimigos ou hostis uns com os outros, tudo isso, através desse incrível poder de comunicação universal da música.

Uma dessas iniciativas de criar pontes de paz no mundo através da música partiu do músico e produtor musical de Ribeirão Preto. Thiago Monteiro, num projeto chamado Key: we, no qual músicos de diferentes lugares do mundo com histórico de violência, hostilidade e inimizade entre eles, se uniram gravando a mesma música instrumental, cada um em seu país de origem, superpondo o poder de aproximação e compreensão da música ao distanciamento e separação do ódio e preconceito.

O projeto foi registrado em vídeo num trabalho maravilhoso e emocionante, digno de louvor e realizado com primor técnico e artístico.

Aí vai o vídeo da música chamada “Nuance” composta por Fabio Gouveia e executada por músicos de oito países.

Desfrute, abra os ouvidos e o coração!

Até a próxima!

Luciano Duarte

Luciano Duarte é músico, graduado em Música Popular pela Unicamp. Morou e atuou na Europa por três anos. É professor de música e atualmente trabalha como guitarrista de orquestras em navios de cruzeiros tocando com músicos do mundo todo, tendo passado por quase 30 países até o momento.

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