Aspectos psicológicos do puerpério

Dar a luz a uma criança não é algo fácil. Além de lidar com os aspectos relacionados à própria gestação a mulher, que antes tinha toda a atenção passa, muitas das vezes, a não ser vista

Visando que agosto tem uma de suas datas destinada as gestantes (15/08), nós do NO DIVÃ decidimos discutir sobre um assunto tão importante quanto o período gestacional e que merece atenção igual ou superior à dada ao feto durante o seu desenvolvimento. Hoje nós falaremos sobre o puerpério, período vivido pela mulher após o parto.

Foto: Divulgação

Para iniciarmos a nossa reflexão é importante que busquemos entender as possibilidades e significados de uma gestação. Muito atrelada a questões culturais, sociais e econômicas, uma gestação pode ser recebida e vivida de maneiras distintas. Porém todos os significados dados a ela, comportamentos exercidos durante este período e os sentimentos tidos e vivenciados na gravidez serão extremamente importantes e influenciarão diretamente o pós-parto, o puerpério e o desenvolvimento relacional de mãe-bebê durante toda a vida.

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Dar a luz a uma criança não é algo fácil. Além de lidar com os aspectos relacionados à própria gestação a mulher, que antes tinha toda a atenção passa, muitas das vezes, a não ser vista, já que agora o foco de todos está no recém-chegado bebê. Porém, assim como a criança, a mulher, agora mãe, encontra-se frágil. Ela precisa de muita atenção e cuidados especiais para que assim ela possa lidar e passar pelo puerpério de forma saudável.
Mas afinal, o que é o puerpério?       
É comum que poucas pessoas saibam e compreendem a fundo este período. Ele se dá a partir do pós-parto e caracteriza-se como uma transição: Gestação, nascimento, retorno do corpo feminino a seu estado normal.

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Carregado de emoções, preocupações e novidades, este é o período no qual a mulher enfrenta verdadeiramente a chagada de um novo ser, gerado e nascido de seu corpo, composto de necessidades, muitas das vezes (e principalmente para as mães de primeira viagem) ainda não reconhecidas.
Durante os primeiros dias do puerpério a mulher encontra-se vulnerável. Ela precisa lidar com a sua recuperação, com os cuidados ao bebê e com o misto de sentimentos e emoções gerados a partir das diversas mudanças intra e interpessoais após o nascimento.

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Existe uma grande diferença entre o período gestacional e o pós-parto. O que anteriormente era um ser idealizado, fantasiado e tido como PARTE do corpo da mãe agora, nada mais é do que algo real, muitas das vezes diferente do imaginado, algo novo que, como qualquer novidade, carrega consigo sentimentos ambivalentes, sendo eles de alegria, medo, confusão, amor entre outros.  
É durante os seis primeiros meses pós-parto que profissionais da saúde conseguem avaliar a saúde mental da mulher/mãe e a relação estabelecida entre ela e o seu bebê. É indiscutível, diante das necessidades tanto da mãe quanto do bebê, que uma assistência hospitalar deve ser mantida também durante o puerpério. Cuidados destinados à rotina de ambos (mãe-bebê) a fim de desenvolver uma relação saudável entre eles é essencial. Além disso, a mãe precisa ter um olhar diferenciado e direcionado. Ela precisa sentir-se acolhida para que assim consiga se desenvolver enquanto mãe de forma favorável e tenha um puerpério sadio.

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Na maioria das vezes as mães passam por este período sem sérios problemas, mas como já dito, existem fatores nocivos, vividos e sentidos durante a gestação/pós parto, que podem acarretar um mau puerpério. Exemplos disso são mães que desenvolvem depressão pós-parto e precisam de cuidados dobrados para que ela e o bebê superem as dificuldades desse período.

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A depressão pós-parto acomete de 10% a 15% das puérperas. Este quadro se inicia de duas semanas até três meses após o parto e caracteriza-se por neuroticismo e sintomas semelhantes à depressão. Uma gestação não desejada assim como pouco suporte social, financeiro, relacionamentos conturbados e histórico familiar de transtornos psiquiátricos podem contribuir para o mau puerpério. Diante dessas possibilidades a mulher, assim como a nova vida que chega, carece de atenção e para que ambos, mãe-bebê tenham um futuro saudável, medidas de atenção biopsicossocial devem ser direcionadas a eles.

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