Conto: aquele consultório

Hoje, NO DIVÃ, nós iremos desmistificar a sua ideia a respeito da terapia e lhe mostraremos como um encontro “consigo mesmo” pode lhe trazer benefícios imensuráveis. 

Hoje, NO DIVÃ, nós iremos desmistificar a sua ideia a respeito da terapia e lhe mostraremos como um encontro “consigo mesmo” pode lhe trazer benefícios imensuráveis.
Assunto que ainda é cercado por um misto de idealizações, sendo estas reais e às vezes fantasiosas, a terapia é algo ainda pouco buscado pelas pessoas pelo fato de que, muitas das vezes, imaginar como esse processo se dá e o que ele pode gerar em nós se torna algo difícil e imprevisível.  
Abaixo temos um depoimento fictício que desenha a experiência de uma pessoa cheia de medos e receios que busca ajuda terapêutica, enfrentando a sua própria resistência a fim de florescer e transcender diante de situações, consideradas adversas a este ser. 
Se delicie com esta leitura:

Hoje eu senti a necessidade de escrever um pouco sobre mim. Aprendi essa técnica há um tempo e desde o momento em que eu comecei a colocar no papel algumas coisas ao meu respeito eu comecei a me entender melhor. Quem me ensinou essa técnica? A minha terapeuta.         
Há alguns anos eu estive diante de uma situação complicada que me obrigou a refletir a cerca da seguinte frase: Será que eu preciso de terapia? Bom, inicialmente eu não entendia muito bem o que era ou para que servia um serviço como este, mas como a maioria das pessoas diziam que a doença do momento estava dentro das nossas cabeças, eu parei, pensei e percebi que existiam alguns “monstrinhos” dentro da minha que precisavam de certa atenção.

“Mas psicólogo é coisa de gente louca.”     
Essa era a frase que eu mais ouvia durante o período em que eu decidi conhecer essa tal de terapia.     
Você quer saber se eu fiquei assustado com isso?   
Claro!
Na minha perspectiva, meus “monstrinhos” não faziam com que eu me tornasse um louco… Que atire a primeira pedra quem não tem os seus!

Os meus “monstrinhos” apenas faziam com que eu me sentisse de forma estranha, e esse estranho era um tanto quanto desconfortável.          
Hesitei, hesitei e hesitei, até que os comentários ruins a respeito da terapia passaram a ser irrelevantes e a necessidade de cuidar mais de mim gritou mais alto.          
Me lembro que, diariamente, eu passava em frente a um consultório bonito que havia no centro da cidade. Eu sempre via pessoas saindo de lá, mas para mim, ainda era difícil ser uma daquelas pessoas.      
Até que um dia, em uma dessas caminhadas e com o coração cheio de angustia, eu decidi anotar o telefone que estava na fachada da clínica e ligar, sem compromisso, para saber o que poderia acontecer.

Liguei… Desliguei… Liguei de novo, a psicóloga atendeu, minha voz tremeu, mas ainda assim eu marquei uma consulta.        
Era para ser algo sem compromisso, algo do tipo “Oi, tudo bem? Você pode me explicar, por telefone mesmo, como funciona uma sessão de terapia?”, mas de repente, o “sem compromisso” virou um lembrete enorme colado na porta da minha geladeira com os seguintes dizeres: Quarta feira, às 18 horas TERAPIA.

Se foi fácil esperar? Não.      
Chegou o final de semana, a segunda, a terça e NADA da quarta!
A única coisa que passava na minha cabeça era:

 “O que eu vou fazer lá? O que eu vou falar? Será que ela vai ler a minha mente, as minhas mãos, perguntar meu signo?” ·.

Quanta loucura!        

Até que, e enfim, a quarta feira chegou. Eu coloquei uma roupa, passei perfume, tentei parecer o mais “normal” possível e fui.
Se eu falar para vocês que não passou pela a minha cabeça a possibilidade de faltar é mentira. Cogitei isso todos os dias, afinal eu nem sabia se realmente precisava daquilo, mas feliz ou infelizmente a sessão já estava marcada.

Eu já estava na recepção quando a psicóloga chegou. Ela me cumprimentou, pediu para que eu entrasse em sua sala e me sentasse aonde eu me sentisse mais a vontade. Lá dentro existiam duas poltronas e uma coisa que parecia uma cama (que depois eu descobri que era um divã). Eu optei por me sentar em uma das poltronas, ela se sentou em minha frente e o atendimento aconteceu.        
Confesso que o frio na barriga existiu, por um momento, mas logo eu me senti tão à vontade com a situação, tão acolhido, que foi difícil, muito difícil, ter que ir embora. Sai da sala tão leve, e olha que foi o primeiro atendimento. E no final, eu que não tinha nada para dizer, falei durante toda a sessão.
Ela me explicou o processo terapêutico e as dúvidas que eu tinha foram sanadas. Eu entendi que SIM, eu precisava de terapia. Na realidade, todo mundo precisa. Eu sei que pessoas são diferentes e que as sensações tidas por elas diante da terapia também são, mas apesar disso, uma coisa eu garanto, o todo deste processo, até mesmo os seus altos e baixos fazem desta experiência algo sensacional e acrescentador. 
A terapia proporcionou a mim o melhor encontro que eu já tive na vida, o encontro COMIGO mesmo. Em terapia eu conheci o meu eu, os meus “monstros” e as minhas delicias. Confesso que a vida não se tornou um “mar de rosas”, mas hoje eu consigo lidar com os meus “abismos” de uma forma muito mais saudável. Diante disso, eu percebo que a psicoterapia vem cumprindo o seu papel junto a mim e eu o meu papel junto a ela, compreendendo que este processo é conjunto, é bonito e é um verdadeiro se doar de dois para o “florescimento” de ambos.      
Hoje, aquele consultório bonito que estava no meu caminho é um dos meus caminhos preferidos. Toda a semana eu vou para lá, na busca de me construir e reconstruir dia após dia, me tornando assim a melhor versão de mim mesmo.

O objetivo deste conto fictício é apresentar um pouco do processo terapêutico, o seu funcionamento e alguns dos benefícios envolvidos a ele. É necessário lembrar que as singularidades do ser fazem com que essa experiência seja única e especifica, porém sabe-se que a psicoterapia é indicada a todas as pessoas afinal, este é um processo benéfico que proporciona o autoconhecimento, fato imprescindível para uma boa saúde mental.

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