‘Hoje ser professor é parte de minha identidade e minha fonte de renda’

O professor Gabriel Papa tem uma grande paixão pela cidade de Cravinhos, bem como a sua profissão, inclusive já formou diversos cidadãos com posições firmes e coerentes para o mundo.

Hoje (27/03) apresentamos a décima história da nossa série de reportagens “Personagens de Cravinhos”, em que estamos retratando diversas pessoas do município cravinhense, que celebrou seus 145 anos no dia 19 de março. O projeto consiste em mostrar, um pouco das pessoas que levam o nome da cidade por todos os cantos do mundo, bem como se destacam no próprio município, com seus empreendimentos, talento, simplicidade e carisma.

E vamos contar a história do professor e filósofo, Gabriel Papa Ribeiro, filho da Isa e do Nenê e neto de Aristeu e Beatriz, que terminou a sua graduação com o apoio da Fundação Primeiro Mundo, e começou a lecionar ainda quando estava na universidade, assumindo o cargo de professor de História no cursinho popular da Unesp de Araraquara.

“Depois de terminar o mestrado eu entrei no SEVIME em Cravinhos e logo no Santa Úrsula em Ribeirão Preto. Em 2017 deixei de dar aulas em Cravinhos para fazer o Doutorado e assumi um cargo no Colégio Anchieta e em cursos de redação e preparação para concursos na Região Metropolitana de Ribeirão Preto”, explica o professor, Gabriel Papa.

O professor e filosofo, Gabriel Papa Ribeiro, tem se destacado em sua profissão e mostrado muito orgulho em ser cravinhense
Foto: Arquivo Pessoal

Em 2017, ele publicou o seu primeiro livro, chamado “O Paradoxo da realidade social”, e, no mesmo ano, o debateu no Congresso Brasileiro de Sociologia em Brasília. Ainda em 2017 representou o Brasil, junto da UNESP, no encontro internacional “AUGM de Universidades da América Latina em Encarnación do Paraguai”.

“Em 2018 entrei para a Sociedade Brasileira de Sociologia e com isso voltei para o Congresso em 2019, que aconteceu em Florianópolis (SC) para debater os resultados preliminares de minha pesquisa de Doutorado, na qual analiso a memória da ditadura civil-militar brasileira na imprensa e que terminarei em setembro de 2021”, diz Gabriel Papa.

Ainda segundo Papa, atualmente ser professor é parte de sua identidade e sua fonte de renda.

E nessa semana a nossa equipe de reportagem esteve com o professor Gabriel Papa para bater um papo sobe a sua formação, projetos, ideologias, e claro um pouco da cidade de Cravinhos. Acompanhe!

Gabriel Papa durante o lançamento de seu primeiro livro em 2017
Foto: Arquivo Pessoal

InterTV Web – Se você não fosse professor, o que pensaria em ser?

Gabriel Papa Ribeiro – Se eu não fosse professor eu gostaria de ser advogado ou economista. São profissões que dialogam com o que eu gosto, ou seja, leis, economia, política e sociedade, todos temas relevantes e que me chamam muito a atenção.

InterTV Web – Você acha que filósofos sempre sofrem preconceito por serem pouco compreendidos?

Gabriel Papa Ribeiro – Eu penso que os filósofos sofrem preconceito não porque não são compreendidos, mas o sofrem porque as pessoas não conhecem a filosofia e quando se aproximam das reflexões filosóficas são estimuladas a pensar e isso tira as pessoas de sua zona de conforto, expõe às consciências as hipocrisias e contradições do ser. Muitos acham que filosofia não serve pra nada ou que é algo chato. Do que essas pessoas têm medo? Ora, têm medo de se olhar no espelho e verem a caricatura frustrada de um sonho.

Pensar dói, mas é só pelo raciocínio que nos aproximamos da verdade e só a verdade é capaz de libertar, emancipar e esclarecer a realidade humana. A filosofia nos lembra que precisamos construir a si mesmos e que esse é o maior desafio que temos na vida, porque temos de tomar decisões que impactam toda a nossa trajetória. Eis um dos motivos que os humanos gostam tanto de obedecer uns aos outros, na esperança de que seguir ordens alivie a consciência de uma decisão errada.

InterTV Web – Atualmente Mário Sérgio Cortella é considerado um dos grandes filósofos do mundo. Qual a sua opinião sobre isso?

Gabriel Papa Ribeiro – Mário Sérgio Cortella é um dos grandes divulgadores da filosofia ocidental nos dias de hoje e sua popularidade é fundamental para que reflexões complexas cheguem às pessoas comuns, que não se acostumaram com as provocações filosóficas. Fui aluno do Professor Cortella em seu curso de filosofia básica e uma das coisas que aprendi foi admirar esse intelectual incrível que desceu de sua torre de marfim acadêmica e foi ao povo refletir junto dele, como deve de fato fazer um filósofo.

“Amo minha profissão e sigo pesquisando para produzir conhecimento que possa servir para um melhor entendimento da dinâmica social”
Foto: Arquivo Pessoal

InterTV Web – Qual o momento mais marcante que a Filosofia te trouxe?

Gabriel Papa Ribeiro – O momento mais marcante que a filosofia me trouxe foi ver minha família ter orgulho do meu trabalho e poder ver educandos indo atuar na sociedade em diversas profissões, e levarem com eles valores que desenvolvemos juntos em sala de aula e que se ramificaram em seus cotidianos.

Fui professor de filosofia para crianças por 2 anos, e certa vez encontrei uma aluna de 7 anos em um circo e ela me apresentou ao seu pai como professor de pensamentos, nesse dia eu entendi a profundidade de minha profissão e a importância que ela tem na formação do caráter ético e dos costumes morais em nossa comunidade.

InterTV Web – Qual a sensação de ser uma pessoa que inspira seus alunos?

Gabriel Papa Ribeiro – É uma sensação de reciprocidade, pois os estudantes me inspiram todos os dias também. Sinto-me com o dever cumprido e um orgulho de ter feito as escolhas que fiz pra poder estar em sala de aula e construindo uma sociedade mais crítica, o que pode nos tirar das trevas obscuras que entramos com tantos preconceitos e tanta intolerância.

InterTV Web – Você já se indagou o que será o mundo pós-pandemia? Qual análise chegou?

Gabriel Papa Ribeiro – Me pego refletindo sobre isso todos os dias. O mundo pós-pandemia talvez seja um mundo mais nítido, no qual ficará claro que a sociedade que construímos não existe para os indivíduos, mas para o dinheiro, para os lucros e para as mercadorias.

Essa nitidez pode permitir a tomada de consciência das pessoas para questionarem que tipo de humanidade somos, em vista do que poderíamos ser, pois o momento em que vivemos mostrou a capacidade de egoísmo humano, entretanto mostrou também a solidariedade humana aflorada. O que vai prevalecer depende de nossas escolhas daqui pra frente.

“Estamos mergulhados em um governo genocida, incompetente e irresponsável que se elegeu alicerçado em fraudes jurídicas e em um golpe parlamentar”
Foto: Arquivo Pessoal

InterTV Web – Como você analisa a política em âmbito nacional?

Gabriel Papa Ribeiro – A política brasileira em âmbito nacional demonstrou nos últimos anos que o comprometimento dos nossos líderes é com o mercado de capitais e não com a vida e os direitos de milhões de trabalhadores. Estamos vendendo nossas riquezas, nosso patrimônio e entregando nossos direitos para garantir mais lucros a rentistas, enquanto os brasileiros observam seu poder de compra implodir e seus sonhos de vida desmoronarem.

Estamos mergulhados em um governo genocida, incompetente e irresponsável que se elegeu alicerçado em fraudes jurídicas e em um golpe parlamentar. Mas que acima de tudo foi fruto de nossas escolhas. Os brasileiros deixaram as emoções nublarem a racionalidade e isso nos condenou ao atraso do negacionismo ancorado em discursos eugenistas que dificultaram o enfrentamento à pandemia, como o discurso de que a economia precisava ser salva, uma postura hipócrita que repete a mesma narrativa dos escravocratas do século XIX que defendiam a escravidão para preservar a economia brasileira.

Essa política bolsonarista que inviabilizou fazermos a quarentena por conta da saúde econômica se esquece que os bilionários ficaram mais bilionários na pandemia e que o Estado existe para a sociedade e não para as elites. O Ministério da saúde não chamou a responsabilidade para si nem organizou a sociedade ou seu sistema de saúde para a vacinação em tempo hábil. O povo está pagando a conta da pandemia com seu trabalho e com suas vidas e tudo isso chancelado pelo Governo Federal, que, como se já não bastasse, ainda nega a ciência enquanto o mundo vai no caminho inverso e fecha as portas para o Brasil, enquanto o nosso povo mergulha na miséria.

Como diria Dante Alighieri, ‘os lugares mais sóbrios do inferno estão reservados àqueles que se mantiveram neutros em tempos de crise moral. Diante da catástrofe devemos registrar a história, fazer a crítica e lutar, pois o destino dos mentirosos, genocidas e tiranos sempre será o mesmo: o campo da vergonha, da desonra e da derrota’.

InterTV Web – Qual a história mais marcante que você tem com a cidade de Cravinhos?

Gabriel Papa Ribeiro – Talvez o dia mais marcante pra mim foi quando eu voltei pra casa depois de 7 anos estudando em Araraquara e vi Cravinhos no horizonte e pensei: – É, voltei pra casa!

“Cravinhos se confunde com minha história, com a história da minha família, dos meus pais e dos meus avós”
Foto: Arquivo Pessoal

InterTV Web – O que Cravinhos significa em sua vida?

Gabriel Papa Ribeiro – Aqui eu nasci e aqui eu vivo com minha família. Amo essa cidade e seu povo. Adoro visitar as praças e o Parque ecológico. Adoro o clima do nosso lar aos domingos e nos dias frios. Cravinhos se confunde com minha história, com a história da minha família, dos meus pais e dos meus avós. Posso dizer que Cravinhos é o meu lar, pois é aqui que está a minha comunidade e minhas raízes. Em Cravinhos me fiz cidadão.

InterTV Web – Qual a mensagem que você deixa para Cravinhos no mês que o município completa seus 145 anos?

Gabriel Papa Ribeiro – Parabéns Cravinhos. “Por Cravinhos faça-se tudo”. Que nossa cidade continue sendo referência e que nosso povo possa sempre ser feliz ao comemorar a vida.

InterTV Web – Suas considerações finais.

Gabriel Papa Ribeiro – Agradeço ao convite para a entrevista e o espaço dado ao conhecimento. Aproveito para mandar um grande beijo para meus familiares e reforçar a importância da vacinação, do distanciamento social e das medidas sanitárias, como por exemplo, o uso do álcool em gel, lavar frequentemente as mãos e usar máscara para contermos a pandemia de COVID-19.

Kennedy Oliveira

É formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pelas Faculdades COC (atualmente Estácio). É pós-graduado em Comunicação: linguagens midiáticas, pelo Centro Universitário Barão de Mauá.

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