‘Cleópatra sempre foi e continua sendo um dos maiores mistérios do mundo’

A historiadora, Natália Frazão, se encantou logo cedo pela História e tem em suas especialidades Roma e Cléopatra.

Hoje (13/04) apresentamos a décima oitava história da nossa série de reportagens “Personagens de Cravinhos”. O projeto consiste em mostrar, um pouco das pessoas que levam o nome da cidade por todos os cantos do mundo, bem como se destacam no próprio município, com seus empreendimentos, talento, simplicidade e carisma.

E vamos contar a história da historiadora e professora, Natália Frazão José, que se apaixonou por História na antiga quinta série (atualmente, o sexto ano do Ensino Fundamental II). E ela que sempre foi muito curiosa para saber das causas dos acontecimentos começou a se interessar ainda mais pelos fatos.

“Sempre fui muito curiosa, procurando saber os motivos, as causas dos acontecimentos. Mas, foi em uma aula da Profa. Rosa que comecei a gostar de História. Fiquei encantada pela forma que a História era capaz de lidar com os acontecimentos do passado e, ao mesmo tempo, dar explicações para as nossas situações atuais”, comenta Natália Frazão.

Natália está com 33 anos e já viajou pelo mundo para defender suas teses e mostrar seu conhecimento. E nessa semana conversou com nossa equipe de reportagem e contou um pouco de sua trajetória profissional, sonhos e claro a paixão pela História. Acompanhe!

A historiadora cravinhense, Natália Frazão, se apaixonou pela História no Ensino Fundamental
Foto: Arquivo Pessoal

InterTV Web – Quando decidiu que seria historiadora?

Natália Frazão – Cursar História sempre foi uma das minhas opções. Não lembro ao certo quando foi minha decisão definitiva, mas, em 2004, ano em que prestei vestibular, já prestava apenas para as Faculdades de História. Em 2005, entrei na Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” e lá estou desde então.

InterTV Web – Se não fosse historiadora, o que pretendia ser?

Natália Frazão – Provavelmente, veterinária.

InterTV Web – Faltam historiadores no Brasil?

Natália Frazão – O Brasil está repleto de historiadores, que possuem amplas formações, inclusive no exterior. O que falta em nosso país é o reconhecimento para estes profissionais. Vemos, principalmente em nossos dias atuais, que a fala desses estudiosos, que investiram anos em suas carreiras, são desacreditadas e descontextualizadas. Luta-se para ser reconhecido ao mesmo tempo que se luta para ensinar, para educar uma parcela da população que prefere acreditar em suas próprias verdades ou em fake news, algo extremamente perigoso para o futuro da humanidade. Neste momento, sempre se faz necessário lembrar que “(..) o homem que não conhece sua própria História, não conhece a si mesmo.”

InterTV Web – Dos locais que visitou, qual mais a atraiu?

Natália Frazão – Por ser especialista em Roma, talvez este tenha sido o lugar que mais me encantou. Porém, a cidade de Évora, em Portugal, possuí um lugarzinho especial em minha memória. Antiga cidade ocupada por romanos, suas ruas são repletas de História, a começar pelo Templo de Diana finalizando com os muros pertencentes ao período medieval.

Natália Frazão em uma de suas viagens
Foto: Arquivo Pessoal

InterTV Web – Você já pensou ou fez algum trabalho sobre a história do município de Cravinhos?

Natália Frazão – Sim, devo dizer que foi uma experiência muito gratificante. Sendo professora da EMEB “João Nogueira”, desenvolvi um projeto com alunos de oitavos e nonos anos em 2019. Nele, os alunos deveriam pesquisar a História de Cravinhos através de um olhar diferente: uma visita ao Cemitério Municipal. Lá, eles tinham como objetivo buscar, através das informações tumulares, pelos habitantes mais antigos. Na segunda fase do projeto, os alunos investigaram as famílias desses habitantes, buscando conhecer a História de Cravinhos através da vida desses personagens e da História Oral, aquela que é contada no meio familiar, passada de pai para filho.

InterTV Web – Qual foi o momento mais marcante para você na história de Cravinhos?

Natália Frazão – Como cravinhense “raiz”, há vários momentos que nos marcam. O atual, com o Covid ceifando vidas a todo momento, não pode deixar de ser citado. Contudo, algo que também muito me marcou foi o desmoronamento da Igreja São Benedito, a famosa “igrejinha”. Cresci naquela praça, onde brincava todas as tardes. Lembro-me de frequentar algumas missas com minha família quando elas ainda eram realizadas ali. No momento em que sua estrutura ruiu, senti que perdia parte da minha infância.

Estudiosa sobre Cléopatra, a historiadora Natália, diz que a ‘rainha’ é um dos maiores mistérios do mundo
Foto: Arquivo Pessoal

InterTV Web – Você sempre se interessou por Cleópatra? O que já pôde desmitificar sobre sua história?

Natália Frazão – Cleópatra sempre foi e continua sendo um dos maiores mistérios do mundo. A minha curiosidade sobre esta rainha surgiu com algo que era do meu dia a dia: Chapolin Colorado. Em um episódio, ele colocava a culpa de todos os problemas de Roma na rainha e em sua sedução. Fiquei inconformada com isto.

Ao entrar na Universidade, iniciei minha Iniciação Científica e fiz questão de trabalhar a imagem de Cleópatra. Hoje, após muitos anos de estudos, conseguimos perceber que a forma que ela é retratada não faz jus à sua pessoa. A sua beleza foi desmitificada através de alguns achados arqueológicos, o que faz cair por terra a teoria, criada ainda na Antiguidade, que Cleópatra era portadora de rara beleza. Cleópatra era descendente de gregos que governavam o Egito há séculos. Era instruída, falava mais de sete línguas e possuía enorme capacidade de tratar de questões políticas, econômicas e sociais. Ao torna-se governante do Egito, governava a partir de Alexandria, uma das cidades mais importantes da Antiguidade. Em outras palavras, era uma mulher no poder em um período em que as mulheres não podiam ocupar cargos de tamanha importância ou, sequer, detinham os mesmos direitos e liberdades que os homens.

A imagem em torno desta soberana foi algo elaborado por homens de seu próprio período com o intuito de limitar sua importância, seu poder. Cleópatra manteve relações com importantes generais e políticos romanos. Mas, ao contrário do que muitos acreditam, não eram apenas relações amorosas. Eram relações de poder, relações políticas e econômicas. Ela era uma governante mulher em um mundo comandado por homens.

InterTV Web – Qual a mensagem que deixa para Cravinhos?

Natália Frazão – Desejo que Cravinhos lute para deixar suas marcas na História da maneira correta, visando sempre o bem da população, daqueles que aqui vivem e sobrevivem. Que, aqui, prevaleça a humanidade em detrimento da luta desregrada pelo poder, pelo dinheiro, pelo “ter mais”. Que Cravinhos possa completar mais aniversários, tendo em sua trajetória inúmeras vitórias, do povo e para o povo. Que a luta contra esse vírus seja vencida, sempre pensando-se na preservação de vidas ao invés de egos.

InterTV Web – Suas considerações finais.

Natália Frazão – Nesses momentos tão sombrios que vivemos só posso desejar que todos tenhamos mais Empatia. Mais amor ao próximo, mais educação ao falar e, principalmente, ao ouvir. Que saibamos respeitar a todos, que enfrentam dificuldades diferentes a cada dia, que lutam para sobreviver. Principalmente, que tenhamos Respeito pela vida alheia. Não se trata apenas de nós, mas de todos. Compreensão e Paciência são palavras chaves. Afinal, Tudo Passa. Pode demorar, mas passa.

Kennedy Oliveira

É formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pelas Faculdades COC (atualmente Estácio). É pós-graduado em Comunicação: linguagens midiáticas, pelo Centro Universitário Barão de Mauá.

One thought on “‘Cleópatra sempre foi e continua sendo um dos maiores mistérios do mundo’

  • 13 de abril de 2021 em 21:04
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    Reportagem de Natália Frazão José prima pela dedicação ao estudo da enigmática Cleópatra, além de evidenciar o quanto é importante não desistir de seus sonhos.
    Parabéns!

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