‘Temos que estar onde o povo está!’

Luis Gustavo Benzi conta um pouco como foi o chamado para ser padre, seus trabalhos frente as Paróquias que já passou, como a Igreja Católica tem lidado com a Pandemia, como a tecnologia tem sido inserida em prol da religião e muito mais.

Hoje (24/04) apresentamos a 24ª história da nossa série de reportagens “Personagens de Cravinhos”. O projeto consiste em mostrar, um pouco das pessoas que levam o nome da cidade por todos os cantos do mundo, bem como se destacam no próprio município, com seus empreendimentos, talento, simplicidade e carisma.

E vamos contar a história de um cravinhense que é padre, tem se destacado pelo trabalho na Igreja Católica e atualmente tem posição de destaque na Arquidiocese de Ribeirão Preto. Nosso bate-papo hoje é com o Padre Luis Gustavo Tenan Benzi, irmão mais novo do Edilson e da Andréa. Frutos do casamento do Nori e da Vera Benzi que, neste ano, completam 50 anos de vida matrimonial.

“Fui criado na Bela Vista, perto do CTC. Estudei no Francisco Gomes e no Souza Campos. Vivi o início da minha fé na Comunidade Sagrado Coração de Jesus, que existia na Escolinha Paroquial. E em 26 de janeiro de 1997, um Domingo, meus pais me levaram para o Seminário Maria Imaculada, em Brodowski. Nesta casa de formação cursei as faculdades de Filosofia e Teologia”, explica o padre Luis Gustavo Benzi.

O Padre Luiz Gustavo Benzi revela as mudanças que a Igreja teve que fazer para se adaptar ao ‘novo normal’
Foto: Arquivo Pessoal

Em 19 de março de 2003 (aniversário de Cravinhos), com 23 anos, ele foi ordenado Diácono na Paróquia São Pedro, no bairro Ipiranga.

“Em 02 de maio de 2004, pela imposição das mãos e oração consecratória de Dom Arnaldo Ribeiro, fui ordenado sacerdote, em uma marcante celebração eucarística acontecida na Cava do Bosque. Desde então, coloquei-me a serviço do Povo de Deus na Arquidiocese de Ribeirão Preto. Também fiz faculdade de História sou pós graduado em Teologia Pastoral”, revela o padre.

E o Padre Luís Gustavo concedeu uma entrevista bem divertida e esclarecedora sobre diversos pontos à nossa reportagem. E nossos leitores podem acompanhar esse bate-papo na íntegra. Confira!

Padre Luís Gustavo Benzi com alguns de seus familiares
Foto: Arquivo Pessoal

InterTV Web – Em qual momento de sua vida, decidiu por ser padre?

Padre Luis Gustavo Tenan Benzi – Costumo dizer que sempre nutri em meu coração o desejo de ter uma profissão com a qual eu pudesse ajudar as pessoas ao meu redor. Na minha infância e adolescência, isso era muito forte, mas ainda não muito esclarecido, delineado. No ano de 1996, participando de um retiro de carnaval em Brodowski, ao final da Missa, o padre fez o convite para que os jovens ali presentes ouvissem o chamado de Deus para serem padres. Naquele momento, esse convite caiu como uma bomba em mim. Não tive como recusar! Voltando a Cravinhos conversei com o saudoso Cônego Aguimar que me acompanhou por algum tempo. Naquele mesmo ano, em julho, ele foi transferido e meu acompanhamento vocacional continuou com o Padre Tom e o Cônego Ronaldo. Em 26 de janeiro de 1997 iniciei meus estudos no Seminário Maria Imaculada, em Brodowski.

InterTV Web – Se não fosse padre o que gostaria de ser?

Padre Luis Gustavo Benzi – De verdade, não sei te dizer! Não me vejo, sendo feliz e realizado, sem ser Padre.

InterTV Web – Sua família sempre apoiou a sua decisão em ser pároco?

Padre Luis Gustavo Benzi – Sim, sempre! O apoio presente, discreto e silencioso de meus pais e dos meus irmãos, sempre foi muito importante e marcante para mim. Decisivo em minha caminhada.

InterTV Web – Atualmente você está à frente da Paróquia São Francisco de Assis, em Ribeirão Preto. Qual a sensação? Encontrou alguma dificuldade com essa comunidade?

Padre Luis Gustavo Benzi – A Paróquia São Francisco de Assis é a segunda paróquia na qual exerço meu Ministério Sacerdotal. Antes dela, trabalhei por quase 14 anos como Pároco na Paróquia Cristo Operário e São Judas Tadeu, também na cidade de Ribeirão Preto. Há 3 anos sou o Pároco de São Francisco. Sempre há diferenças entre uma comunidade e outra. Dificuldades encontramos em todos os lugares, mas quando se é feliz e realizado com aquilo que se faz, todas elas são superáveis com o tempo, persistência e muita oração.

Momento de sua Ordenação na Cava do Bosque em Ribeirão Preto
Foto: Arquivo Pessoal

InterTV Web – Você tem um lugar de destaque no trabalho junto ao arcebispo Dom Moacir Silva. Como você encara isso?

Padre Luis Gustavo Benzi – Há quase 6 anos sou o Coordenador de Pastoral da Arquidiocese de Ribeirão Preto. De fato, este é um trabalho bastante desafiador e, desempenha essa missão, exige muito de nós. Mas entendo que essa é uma Missão confiada por Deus. Sinto-me como um instrumento em suas mãos e rezo, todos os dias, para que eu não atrapalhe a ação de sua Graça na vida daqueles que dependem de minha colaboração.

InterTV Web – Como você entendeu toda a polêmica envolvendo a Campanha da Fraternidade de 2021?

Padre Luis Gustavo Benzi – A Campanha da Fraternidade, há décadas, desenvolve um papel e um serviço muito importante para a Igreja no Brasil. Eu digo que ela nos ajuda a viver a Fé e o Evangelho no concreto de nossa vida, pois seus temas e reflexões sempre nos colocam diante de situações e questões que não gostamos de encarar de frente: questões sociais, políticas, econômicas, desigualdades, falta de unidade (como neste ano de 2021)!

Esta edição da Campanha da Fraternidade é Ecumênica, ou seja, pensada em conjunto com outras igrejas cristãs, em unidade com elas. Jesus sempre quis a unidade. Este foi seu testamento no Monte das Oliveiras: “Pai, que todos sejam um”!

As críticas, na sua maioria, são infundadas. Causaram dor e separação. Mas, tenho certeza de que elas muito ajudarão à própria Campanha da Fraternidade e ao Ecumenismo. Tudo a seu tempo!

“A Campanha da Fraternidade, há décadas, desenvolve um papel e um serviço muito importante para a Igreja no Brasil”
Foto: Arquivo Pessoal

InterTV Web – A igreja católica teve que se adaptar devido a Pandemia de Covid-19. Quais as principais atitudes que tomou em sua comunidade?

Padre Luis Gustavo Benzi – Toda a humanidade teve (e está tendo) que se adaptar ao ‘novo normal’. A Igreja, como servidora da humanidade, também! Ninguém estava devidamente preparado. A Igreja também não. Mas, devido à necessidade que move a Igreja – anunciar a Palavra de Deus – ela teve que se lançar nesse mar bravio que a pandemia nos trouxe!

Em nossa prática pastoral, temos um grupo específico chamado PASCOM (Pastoral da Comunicação). Em síntese, essa pastoral é a responsável por toda a comunicação na Igreja. Em algumas paróquias ela existia com mais vigor e força; em outras, era apenas incipiente, em outras, simplesmente não existia. Diante da pandemia, todos aqueles que tem consciência daquela que é a missão da Igreja, tiveram que ‘se lançar’ nesta aventura de se fazer presente nas mídias digitais, especialmente nas redes sociais, onde nosso povo e nossa juventude estão marcadamente presentes. Só assim conseguiríamos ser fiéis à esta missão de levar o Evangelho a todas as criaturas.

Na Paróquia São Francisco, isso não foi diferente. Estávamos ainda implantando a PASCOM, eles já eram responsáveis pelo nosso Informativo Paroquial, nossa Fanpage no Facebook etc. Tivemos que investir pesado nessa dinâmica, não apenas para a transmissão das missas, mas também para nossas outras atividades paroquiais: sermos presentes junto às crianças e jovens de nossa Catequese; realizarmos encontros, reuniões, momentos de espiritualidade; realizarmos a Catequese Matrimonial (que prepara os casais para o Sacramento do Matrimônio). Somos a única paróquia que, em meio à pandemia, oferece a Catequese Batismal aos pais e padrinhos para se prepararem para o Batismo de suas crianças. Tudo isso de forma on-line! Até nossa tradicional Quermesse ganhou sua edição virtual de “Quermesse em casa” e já estamos indo para nossa segunda edição!

InterTV Web – Qual a análise que faz de toda essa Pandemia?

Padre Luis Gustavo Benzi – Eu costumo classificar a pandemia como uma grande oportunidade. Nestes últimos meses temos feito, mesmo que não o queiramos, uma grande análise de nossa vida: quem e o que é realmente importante para nós? Qual o valor que damos aos bens materiais? Não seria exagerado demais? O que é realmente importante para nós e nossa família? Estamos vivendo uma grande revisão de vida, de hábitos, de costumes, de escolhas políticas etc…

Têm sido momentos de grande dor e de perdas irreparáveis. Sofrimentos nunca antes vividos por nossa geração. Mas, quando se tem fé e se procura iluminar a vida com a luz da fé, tudo se transforma em oportunidade de crescimento. Deus é capaz disso! Acabamos de viver a Semana Santa: a Cruz, que era pra ser o fim de tudo, transformou-se em oportunidade de Ressurreição, de vida nova!

InterTV Web – Durante a Pandemia houve o aumento da procura de pessoas pela Igreja?

Padre Luis Gustavo Benzi – Sim! Sem sombra de dúvidas! As pessoas estão amedrontadas. Sentem-se sozinhas! Precisam de referenciais. Deus é a base!

InterTV Web – Qual a sua opinião quanto ao uso de tecnologia pelos párocos?

Padre Luis Gustavo Benzi – Temos que estar onde o povo está! Porém jamais podemos nos esquecer de quem somos, a quem servimos e o que representamos na vida das pessoas! Por mais que minha rede social seja minha, sempre o que eu postar ali, será visto sob o prisma de minha vida cristã e sacerdotal.

InterTV Web – Qual o momento mais marcante que teve depois de sua ordenação?

Padre Luis Gustavo Benzi – Ah!!! São vários! Todos os dias faço experiências marcantes no exercício de meu ministério. Mas, de longe, os mais marcantes são aqueles em que podemos ajudar os outros, procurar acalmá-los com o anúncio da Palavra de Deus, conforta-los em suas dores e angústias; fazer parte das famílias…

InterTV Web – Você é filho de Cravinhos, o que a cidade significa pra você?

Padre Luis Gustavo Benzi – Cravinhos é a minha cidade! Sempre será meu ponto de referência, meu berço, meu aconchego, meu recolhimento, meu lugar de paz! Meus pais, meu irmão, cunhada e sobrinhos estão ai! (eu e minha irmã com seu marido e filhos, moramos em Ribeirão). Cravinhos sempre será minha referência de família, pois é ai que nos encontramos todos no melhor lugar do mundo: a casa e o carinho dos meus pais!

Do Hino de nossa cidade, retiro duas estrofes que resumem o significado de minha terra em meu coração e vida:

“Minha terra tão formosa, Cheia de tantos encantos, Onde a infância descuidosa vivi sem dores nem prantos!

Oh! Meu Cravinhos querido! Tão meigo, belo torrão! Oh! Recanto estremecido Que guardo em meu coração!”

“Costumo dizer que sempre nutri em meu coração o desejo de ter uma profissão com a qual eu pudesse ajudar as pessoas ao meu redor”
Foto: Arquivo Pessoal

InterTV Web – Qual a história mais marcante que você tem com Cravinhos?

Padre Luis Gustavo Benzi – São inúmeras histórias! Na minha vida pessoal, sem dúvidas, o momento mais marcante foi a noite de maio de 2004 quando, no Altar da Igreja Matriz São José, pude celebrar minha primeira Missa e oferecê-la a Deus pelo meu povo, minha cidade, meus recantos, junto às pessoas que realmente são importantes e marcantes para mim.

InterTV Web – Qual a mensagem que deixa para população cravinhense?

Padre Luis Gustavo Benzi – Sigamos adiante! Sigamos juntos! Deus está conosco!

Nossa cidade nasceu sob os auspícios e intercessão de São José do Bonfim! Ele sempre nos convida a olhar além das aparências, para aquilo que há de vir da parte de nosso Deus. Não desanimemos. Mesmo que venham dificuldades, jamais nos esqueçamos que temos um Deus que é Pai, que cuida de todos nós e que nos atrai todos a Ele. Como diz o Papa Francisco: “nestes meses sombrios de pandemia, ouçamos o Senhor ressuscitado que nos convida a recomeçar, a nunca perder a esperança!”

“Mesmo que venham dificuldades, jamais nos esqueçamos que temos um Deus que é Pai”
Foto: Arquivo Pessoal/Tirada antes da Pandemia

InterTV Web – Suas considerações finais.

Padre Luis Gustavo Benzi – Agradeço, imensamente, a oportunidade que me foi dada pela InterTv Web. Com toda a sinceridade, não me sinto, nem de longe, um ‘cravinhense que se destaca’. Sinto que tem tantos à minha frente, que realizam muito mais. Mas agradeço pela oportunidade de levar um pouco do trabalho que faço naquilo que é a minha maior realização: ser sacerdote!

Contam uma história de um diálogo entre Santa Teresa de Calcutá e São João Paulo II. A Santa questionou o Santo sobre como ele lidava com a questão de ser tão ovacionado e aplaudido. A isso ele respondeu que sentia como o jumentinho que entrou em Jerusalém trazendo Jesus em seus ombros: os aplausos não eram para ele (jumentinho) mas para Jesus!

Eu me sinto como este jumentinho!

Gratidão! Deus recompense e abençoe a todos.

Paz e bem!

Kennedy Oliveira

É formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pelas Faculdades COC (atualmente Estácio). É pós-graduado em Comunicação: linguagens midiáticas, pelo Centro Universitário Barão de Mauá.

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