A esperança da Palavra
E nessa sexta-feira temos a quarta história da Coluna “Preces de Esperança”. Vale a pena conferir!
Dra. Fran é médica intensivista na Beneficência Portuguesa, em Ribeirão Preto. Lida com procedimentos multidisciplinares utilizados em tratamento intensivo de pacientes. Não tem rotina fácil, especialmente nos últimos tempos.
Na ala Covid-19, sob seus cuidados, internado, estava um paciente jovem, ansioso pela recuperação para aguardar a chegada do primeiro filho.
Padre Josirlei estava por ali, no hospital, sempre a levar uma palavra de ânimo e esperança. Paramentado, em atenção aos protocolos de segurança diante da insistente pandemia, avista aquele jovem no leito.
Certeiramente, e até de forma curiosa, o paciente lança:
– Eu acho que o senhor é padre!
O capelão, de máscara, sorri, confirmando:
– Sim, eu sou padre!
– Eu preciso controlar minha ansiedade, padre! – disse o jovem, evangélico.
O capelão, vendo a bíblia ao lado de seu leito, e sem poder tocá-lo, sugere, então, a leitura da palavra de Deus, um trecho que pudesse tranquilizá-lo naquele momento de angústia.
– Que tal lermos, juntos, Coríntios 13? – recomenda o capelão.
Esta passagem bíblica, uma das mais bonitas da Sagrada Escritura, é a Carta de São Paulo que fala sobre o amor em sua forma mais plena, o amor acima dos demais dons e das virtudes humanas. É o supremo amor de Deus para conosco.

No momento, o padre não estava próximo do leito e ao questionar-se como faria a leitura naquelas condições de distanciamento, Dra. Fran não hesita em convidar-se, e pega a bíblia:
– Deixa que eu procuro!
E, gentilmente, após localizar o texto, faz a leitura do texto até o fim:
– “(…) Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor.
Padre Josirlei ficou feliz e surpreso, assim como a equipe do hospital, que parou ouvi-la recitando Coríntios 13.
E como fez bem ao paciente ouvir a palavra de Deus, fortalecendo sua fé, livrando-o do medo e amenizando sua ansiedade.
Como é bonito presenciar o amor de Deus sendo compartilhado por meio de atitudes simples como a dela. Delicadeza e cuidado evidentes também na postura de Dr. Arthur, médico no HC, que também em uma ocasião leu salmos para seu paciente, a fim de curar mais que sua dor física.
Para se formar, o médico leva anos de estudo. Para ser médico, é preciso ir além das teorias, priorizando a vida do próximo e seus valores pessoais, muitas vezes acima dos próprios valores, simplesmente para preenchê-lo de esperança de vida.
Generosidade, empatia, compaixão, amor fazem com que Dra. Franceliana e Dr. Arthur sejam mais que médicos; eles se tornam instrumentos de Deus a acolher, a confortar, a minimizar angústias de muitos próximos e, de forma especial, a amar.

