Olhares em comunhão
Estreia, nessa sexta-feira (23/07), a Coluna “Preces de Esperança”, experiências vividas pelo Capelão Pe. Josirlei e traduzidas pela professora Lucimara Souza.
Era dezembro de 2020.
O cenário? Pandemia da Covid-19.
Quantas histórias dentro dos nossos hospitais…
Ao pararmos pra refletir, nos entristecemos ao recordarmos que cada pessoa que se foi, vítima desse terrível vírus, levou consigo o significado de muitas outras. Em cada humano que partiu, até mesmo sem despedidas, partiram junto: o amigo, o pai, a mãe, o irmão, o confidente, o cônjuge, o tio, o companheiro de viagem, o colega de trabalho, o médico da família, a companhia da caminhada… Uma única vida e significâncias que não cabem simplesmente em um número.
Pela TV, rádio, internet, assistimos a tudo isso, ora distante, ora muito próximo de nós. Revoltamo-nos, espantamo-nos com as estatísticas, choramos muitas perdas, rezamos, vibramos pela recuperação de muitos de nossos irmãos.
Sensação esta experimentada de muito perto pelos profissionais da saúde, há mais de um ano atuando na linha de frente contra a Covid-19.
Nas imagens, em um hospital de Ribeirão Preto, os profissionais estavam na área isolada para cuidados de um paciente quando o Capelão Hospitalar chegou.

A barreira de vidro que os isolavam não impediram que, na figura do Padre Josirlei, enxergassem a força espiritual capaz de mantê-los ali, fortes, mesmo esgotados física e mentalmente. “Deus está conosco!” – parecia ser esta a frase que seus olhos expressavam, bem mais aliviados agora.
De um lado, o heroísmo de ajudar a salvar tantas vidas, de suportar tantas dores e perdas, de lidar com a privação do convívio social e familiar, de resistirem a angústias e medos, além, até mesmo, da experiência da sensação de impotência. De outro, o Jesus que os acolhe, os acalma e que se humaniza para encorajá-los a manterem vivas a fé e a esperança em dias melhores. É o mesmo Jesus que confirma: “Eis que eu estarei convosco todos os dias…” (Mt 28, 20).
Ao se entreolharem, constituem uma única força, uma comunhão capaz de amenizar angústias e de trazer um pouco calma ao coração diante da complexidade de tudo o que se vive, diária e continuamente, dentro de um ambiente hospitalar.

