Descoberta de novos genes ligados à obesidade reforça conexão entre metabolismo, genética e estilo de vida

Especialistas explicam como avanço científico pode transformar a prevenção e o tratamento da doença.

Uma pesquisa internacional publicada na revista Nature Communications identificou cinco novos genes associados à obesidade, ampliando o entendimento sobre os fatores biológicos envolvidos no desenvolvimento da doença. Conduzido por cientistas da Pennsylvania State University, o estudo analisou dados genéticos de mais de 839 mil pessoas e identificou variantes que influenciam regiões do cérebro e do tecido adiposo, áreas diretamente ligadas ao controle do apetite, do metabolismo e do armazenamento de gordura.

Para Rebeca Beraldo, professora do curso de nutrição da Estácio, os resultados reforçam a importância de compreender a obesidade como uma condição complexa que ultrapassa hábitos individuais.

“Quando falamos de obesidade, ainda existe a ideia de que tudo se resume a comer menos e se exercitar mais. A ciência mostra, cada vez com mais precisão, que fatores genéticos modulam processos metabólicos essenciais. Isso não exclui a importância do comportamento, mas ajuda a diminuir a culpabilização do paciente”, afirma.

Rebeca destaca ainda que os novos genes identificados podem influenciar a forma como o corpo interpreta sinais de fome e saciedade.

Rebeca Beraldo, docente do curso de nutrição da Estácio
Foto: Divulgação

“Essas variantes podem alterar a sensibilidade a hormônios como leptina e grelina, que regulam o apetite. Isso significa que duas pessoas expostas ao mesmo ambiente alimentar podem ter respostas completamente diferentes”, explica.

Marina Pitta, nutróloga e docente do IDOMED (Instituto de Educação Médica), reforça que os novos achados confirmam o caráter multifatorial da obesidade.

“Essas variantes genéticas interferem na forma como o organismo metaboliza nutrientes, armazena gordura e responde a estímulos hormonais. Isso reforça que o tratamento precisa ser individualizado, levando em conta genética, comportamento, rotina e contexto social do paciente”, explica.

Segundo Marina, o avanço científico abre espaço para novas abordagens clínicas.

“Estamos caminhando para uma nutrologia mais personalizada, em que exames genéticos podem ajudar a orientar dietas, medicamentos e estratégias de controle de peso mais eficazes. Mesmo assim, a base do tratamento continua sendo alimentação equilibrada, atividade física e acompanhamento médico regular”, afirma.

Rebeca acrescenta que o papel do nutricionista se torna ainda mais estratégico diante desse cenário. “Entender o impacto da genética nos padrões alimentares permite desenvolver planos nutricionais que não sejam apenas prescritivos, mas realistas e sustentáveis. O foco não é a dieta perfeita, e sim construir uma relação saudável com a comida e com o próprio corpo.”

Pesquisas de instituições internacionais e nacionais de saúde pública divulgadas em 2023 e 2024 indicam que, no Brasil, cerca de 20% dos adultos vivem com obesidade, enquanto apenas cerca de 26% da população adulta pratica atividade física na frequência recomendada — fatores associados ao aumento do risco metabólico.

Foto: Divulgação

Para os especialistas, o cenário reforça a urgência de políticas públicas e ações educacionais que integrem saúde, alimentação, atividade física e saúde mental. Segundo Rebeca, o enfrentamento precisa ser coletivo.

“Falar de obesidade é falar de acesso a alimentos saudáveis, de condições de vida, de educação nutricional e de apoio emocional. Não existe solução simplista para um problema tão amplo”, conclui Rebeca.

Da Redação

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