Karina Hauch, da publicidade ao mercado cervejeiro

Karina Hauch trabalhou em diversas agências de publicidade, mas foi no mercado cervejeiro que descobriu a sua verdadeira profissão

Hoje o nosso Bate-Papo será regado com muita cerveja da SP 330 de Ribeirão Preto (SP), isso porque quem senta aqui comigo é a publicitária, com especialização em Comunicação e Linguagens Midiáticas e Organização de Eventos, e que agora está finalizando seus estudos de Beer Sommelier, Karina Branco Hauch Chrispim, 29 anos, e que depois de trabalhar em algumas agência de publicidade decidiu que o seu sonho mesmo era entrar no ramo cervejeiro, o que aconteceu no ano de 2010.

“A cerveja precisa ser vista como alimento e não algo para depreciar, embebedar e causar problemas alcóolicos”
“A cerveja precisa ser vista como alimento e não algo para depreciar, embebedar e causar problemas alcóolicos”

“Adoro minha área de formação e uso bastante ainda hoje que atuo na área comercial e marketing da cervejaria SP 330, mas o interesse por cerveja surgiu a partir do momento em que ganhei um kit com as quatro principais cervejas da Colorado. Achei curioso os ingredientes diferentes que eles colocavam nas cervejas. A partir desse kit foi um caminho sem volta para me apaixonar por cerveja craft”, comenta Karina Hauch.

E ai que tal uma música ambiente e uma cerveja Californication para apreciar esse delicioso bate-papo? Mas se de repente quiser algo mais leve pegue a bebida de sua preferência e boa leitura.

Nos conte um pouco de sua trajetória profissional até chegar na Cervejaria SP 330.

Sou formada em Publicidade e Propaganda e atuei em agências de publicidade nas áreas de produção gráfica, atendimento e mídia. Depois migrei pra analista de marketing, mas o sonho de trabalhar com cerveja começou em torno de 2010 quando participei do processo seletivo para uma vaga no Marketing da Cervejaria Colorado. Na época em que a Bia Amorim saiu e o Rafa Moschetta assumiu o departamento. Só de ter participado do processo seletivo já fiquei encantada por esse mercado e desde então procurava fazer algo para estar no meio. Alguns freelancers, auxílio simples em eventos, até o projeto que mais ajudou.

Atualmente além de trabalhar com cerveja também tem estudado sommelier. Você sendo mulher sofreu preconceito por ser um ambiente predominantemente masculino?

Comecei na Cervejaria SP 330 trabalhando no bar da Fábrica (TAP Room que hoje está inativo), e foram tão poucos casos de preconceito que aconteceram que não vale a pena pontuar. Surpreendentemente esse é um meio em que o público respeita as mulheres.  Até porque se formos estudar um pouco de história da cerveja, em qualquer lugar o mundo ou início de escola cervejeira, as mulheres sempre estiveram à frente da produção. Sempre foi um serviço de “obrigação” das mulheres produzir cerveja.

“A melhor cerveja é aquela que traz felicidade e prazer ao servir no copo”
“A melhor cerveja é aquela que traz felicidade e prazer ao servir no copo”

Em um passado não tão distante seria quase impossível ouvirmos falar que mulheres são especialistas em cerveja. Como você encara isso?

Realmente as mulheres estão vindo com força nesse meio e é muito gratificante poder contribuir com esse número que vem crescendo. Temos hoje vários exemplos de confrarias só para mulheres. Acho incrível esse crescimento, porque na verdade não existe distinção de trabalho que seja só para mulheres ou só para homens. Cabe todo mundo de maneira igual.

Quem foi a sua inspiração para trilhar o caminho da cerveja artesanal?

A Cervejaria Colorado foi a responsável por me fazer gostar de cerveja [risos]. Minha primeira cerveja foi a Appia e já me apaixonei por ela. Comprei um Kit que vinha as 4 de linha da época Appia (uma honey Cream Ale), Cauim (Pilsen), Indica (IPA) e Demoiselle (Porter) e todas com adições de ingredientes que eu achava muito curioso.  Estranhei as outras mas com o tempo acostumei e fui gostando.

E ai fui me interessando pelo mercado e as pessoas que me inspiravam seguir nas redes sociais pra acompanhar os trabalhos, todos foram grandes nomes da Colorado. Bia Amorim, Rafa Moschetta o próprio Marcelo Carneiro e o cervejeiro João Becker me ensinava coisas bem bacanas sobre cerveja.

Um dos grandes nomes hoje na cerveja artesanal é a Bia Amorim, e você tem um contato direto com ela. Como é essa relação?

Sem dúvida, ela é minha (e acredito que de muitas pessoas) inspiração de carreira. Se acompanhar o histórico profissional dela você se encanta. Tive oportunidade de ter um primeiro contato com ela em um projeto sazonal da Santa Helena com a Cervejaria Colorado em 2013. Na época eu trabalhava no marketing da Santa Helena e esse produto foi meu filho em parceria com a equipe da Colorado. Projeto incrível da qual a Bia nos auxiliou. Meu contato com ela não é frequente, mas posso afirmar que é uma pessoa que tem muito conhecimento sobre cerveja, sabe o que faz, além de manter respeito e humildade sempre.

Como foi estar na linha de frente do concurso “Melhor IPA do Brasil”?

Na verdade o responsável pela organização do Concurso é o Tio Limongi com os organizadores do IPA Day Brasil – Eu tive o prazer e oportunidade de auxiliá-lo na organização de recebimento de amostras e execução do concurso. É lindo, emocionante e muito gratificante presenciar o julgamento de cervejas tão renomadas no mercado por um júri de alto conhecimento e reconhecidos pelo mercado quanto os que recebemos este ano. Todo o trabalho foi feito com muito cuidado, sigilo e organização e em equipe.

“O Tio Limongi é o responsável por abrir as portas da cervejaria pra mim, por acreditar e confiar no meu trabalho, por me ensinar tudo e me ajudar a crescer”
“O Tio Limongi é o responsável por abrir as portas da cervejaria pra mim, por acreditar e confiar no meu trabalho, por me ensinar tudo e me ajudar a crescer”

Qual a melhor cerveja em sua opinião?

Muito difícil falar de uma cerveja específica. Depende muito a ocasião. Hoje posso dizer que meus rótulos de preferência de consumo são as Berliner Weiss, IPAS (Californication [risos]) as belgas de modo geral e as Barley Wines estilo inglês. Mas a melhor cerveja é aquela que traz felicidade e prazer ao servir no copo [risos]. Não consigo definir uma especificamente.

O mercado da cerveja artesanal só tem a tendência de crescimento a cada dia?

Sempre foi muito forte o consumo de cerveja no Brasil. O que eu acredito é que aos poucos estamos caminhando para algumas mudanças em hábito de consumo. As pessoas estão procurando entender e conhecer melhor o que bebem e adquirindo a cultura ‘Beba Menos Beba Melhor’. Ainda tem muito o que caminhar tanto no sentido tributário, comercial quanto em hábitos de consumo, mas acredito que sim, grandes novidades estão por vir e melhorar. A cerveja precisa ser vista como alimento e não algo para depreciar, embebedar e causar problemas alcóolicos.

O que significa o Tio Limongi em sua vida?

O responsável por abrir as portas da cervejaria pra mim, por acreditar e confiar no meu trabalho, por me ensinar tudo e me ajudar a crescer. Um excelente mestre cervejeiro e pessoa excepcional. Uma pessoa que é muito apaixonada pelo trabalho e tem água, malte, levedura e muito lúpulo na veia!

Kennedy Oliveira

É formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pelas Faculdades COC (atualmente Estácio). É pós-graduado em Comunicação: linguagens midiáticas, pelo Centro Universitário Barão de Mauá.

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