Saúde mental e dignidade humana

A lei da reforma psiquiátrica de 2001 foi um marco no movimento de humanização dos tratamentos das pessoas com transtornos mentais.

*Greice Carvalho

Estigmas e preconceitos ainda permeiam a sociedade quando nos referimos à saúde mental. Dentro de um processo histórico, os pacientes eram tratados com muita violência, considerando apenas os aspectos biológicos e não o todo do ser humano. Nisso, foi construído um imaginário da loucura, onde os loucos são tidos como irresponsáveis, incapazes, violentos e tantas outras características. E nesse pensamento, os “loucos” deveriam ser afastados da sociedade.

Atualmente, ainda existem alguns movimentos que apoiam essa ideia de exclusão das pessoas com doenças mentais da sociedade. O que podemos considerar um verdadeiro retrocesso à luta que se faz pela saúde mental no Brasil.

A psicológa, Greice Carvalho, defende que pessoas que tem problemas mentais não podem ser tratados como “loucos” e serem trancados em manicômios
Foto: Divulgação

A lei da reforma psiquiátrica de 2001 foi um marco no movimento de humanização dos tratamentos das pessoas com transtornos mentais. Ela sinalizou, de forma definitiva, o fim dos manicômios, preconizando que os pacientes não devem ficar isolados da sociedade. Nesse modelo, os pacientes continuam com o atendimento e muitas vezes precisam de medicação, mas sem dúvidas, recebem também acolhimento e escuta empática.

É importante ressaltar que quanto estamos falando de saúde mental, nos referimos a uma pessoa que está com sintomas de uma doença. Este indivíduo não é a doença, continua sendo alguém que tem vida, família, amigos, ou seja, possui uma base comunitária para dar conta de sua vida como um todo e não a resumir na própria doença. Os sintomas e o diagnóstico fazem parte de sua história, mas não a definem.

Atualmente já temos dados animadores sobre os benefícios experimentados pelos pacientes que estão em atendimento psicossocial, convivendo em sociedade. E para que continuemos progredindo, a saúde precisa de investimento nos atendimentos, com dispositivos adequados, que incentivam o paciente a ser o protagonista do seu tratamento e lidar com suas fragilidades. O paciente precisa ter a dignidade de estar no centro do seu tratamento e da sua vida.

Foto: Divulgação

O que pedimos é que o modelo de assistência de saúde mental continue a avançar e ter, a cada dia que passa, um tratamento mais humanizado, pensando no ser humano como um todo e não apenas a parte doente. Reiteramos a relevância de atendimento, cuidado, zelo e escuta empática às pessoas, tenham elas diagnóstico ou não, na qual todas são portadoras de direitos e precisam ter sua dignidade humana reestabelecida.

*Psicóloga e Coordenadora do Núcleo de Apoio e Atendimento Psicopedagógico (NAAP) da Estácio.

Da Redação

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