Cerveja pra mulher

Sinto a necessidade de escrever este desabafo sobre uma das coisas que entendo como machismo no meio cervejeiro. Diariamente lido com pessoas que muito pouco conhecem sobre cerveja, estilo ou até mesmo sobre os ingredientes básicos que compõem a bebida. Essas pessoas definem o público consumidor pelo sexo, taxando que homens bebem IPA e mulheres Fruit, né. No máximo! Gostaria de entender em que essa denominação é baseada. Biologicamente não é, porque o gosto por alimentos amargos, ácidos e restrição alcóolica varia de organismo para organismo e hábitos de consumo independem do sexo da pessoa. O paladar é algo muito adaptável. Por exemplo: podemos criar aversão ao sabor doce e começar a gostar mais do sabor ácido ou amargo ao longo do tempo, assim como podemos nos acostumar mais e mais com o açúcar. Ou podemos tolerar muito bem ambas situações.

Não posso deixar de dizer que historicamente as mulheres foram as responsáveis pela produção da cerveja. O lúpulo, elemento tão importante e amado por nós, apreciadores de cerveja, só está hoje no nosso copo porque uma mulher descobriu a utilidade do lúpulo e como introduzi-lo na cerveja, que até então eram usados gruit. Obrigada, Hilda Von Bingen.

Trazendo o assunto para a atualidade, falarei de grandes nomes de mulheres de sucesso no meio cervejeiro. Confira só essa lista de peso!

Começando pela admirável Bia Amorim, Sommelière de cervejas, Guia etílica, Colunista de balcão online. Empresária na Por Obséquio, empresa de consultoria na área de A&B. Publisher da revista Farofa Magazine, Colunista de Cervejas na rádio CBN Ribeirão. Professora convidada do curso Marketing Cervejeiro, Escola de Cerveja e Malte (Blumenau) e na Escola de Gastronomia de Ribeirão Preto. Jurada no Festival Brasileiro de Cervejas de Blumenau (2014, 2018 e 2019), no reality show Eisenbahn Mestre Cervejeiro (2017, 2018), Mondial de La Biere SP (2018) e jurada do concurso Melhor IPA do Brasil (2017 e 2018). E por trás de tudo isso, é uma pessoa, mãe e uma fofa.

Amanda Reitenbach, engenheira química e de alimentos e sommelière, possui um extenso currículo cervejeiro com formação alemã, inclusive. É CEO e fundadora da Science of Beer, uma das maiores escolas de ensino cervejeiro do país, entre tantos outros projetos na área.

Não posso deixar de citar também a Confraria Mulheres Cervejeiras, criada por mulheres de diversas áreas, profissionais e amantes da cerveja, onde falam sobre produção de cerveja, cursos, participam de eventos e organizam caravanas. A Confraria só cresce, e que bom!

Cervejeira da Colorado? Mulher também: Fernandinha Ueno, que já moeu muito malte nas brassagens da vida e hoje assina diversas receitas dessa cervejaria que tanto consumimos.

Luíza Tolosa, sócia-fundadora da Dádiva, uma das cervejarias mais respeitas e premiadas do Brasil, que além de fazer rótulos incríveis ainda abriga grandes marcas com produção cigana.

Fernanda Meybon, engenheira química e professora na escola superior de Cerveja e Malte, possui artigos publicados na Revista da Cerveja e no Blog Comer Beber e Harmonizar e é jurada em grandes concursos cervejeiros no Brasil e exterior. Sem contar os docinhos incríveis que ela cria usando cerveja na receita.

Tamires Cirilo, sommelière, atua na área comercial na cervejaria Pratinha, técnica em nutrição, publicitária, formada em zitogastronomia e que ama Sour, Gose e as Amargas.

E eu, Karina Hauch, publicitária, sommelière e formada em zitogastronomia. Sou apaixonada por Barley Wine e Saisons (ambas são cervejas complexas e alcóolicas), também amo amargas e não abro mão nunca da minha queridinha Heineken. Não sou adepta às Goses e Sours mas por questão de paladar, apenas.

Enfim, são tantas mulheres de nome de peso que um só artigo seria muito pouco. Peço desculpas por tantas que deixei de citar aqui, mas não deixo de seguir o trabalho e me inspirar nelas. Então, amigos, vamos parar de rotular os gostos das pessoas por sexo, vamos entender que cerveja é muito mais do que isso. Se você tem um negócio que depende da venda de cerveja, pode ser um bar, um restaurante ou trabalhar com eventos, enfim… a minha dica é: sempre estude seu público-alvo da real maneira em que ele se apresenta. Se você tiver essa visão simplista por sexo, certamente vai perder grandes oportunidades. Na dúvida, contrate um sommelier. Este profissional é capacitado também para a análise do mercado; sua formação permite trabalhos que vão além da análise do produto.

Finalizo este desabafo com a seguinte frase: a cerveja que a mulher prefere é o estilo que ela quiser! Menos preconceito e mais cerveja no meu copo, por favor!

Karina Hauch

Publicitária e beer sommelière. Apaixonada por cerveja, fábricas e mundo cervejeiro. Adora conhecer novos rótulos e experiências gastronômicas. Sonha viajar o mundo em busca de cervejarias e acumular experiências em horas-copo.

Um comentário em “Cerveja pra mulher

  • 12 de novembro de 2018 em 15:40
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    ô querida. que bom é ser lembrada em textos assim, de força. A vida é cheia de obstáculos e estamos aqui, como continuação do trabalho de muitas outras mulheres, que querem apenas serem livres. Continuamos com resiliência e cerveja =)

    bjos e obrigada!

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