O brincar no processo de hospitalização

O processo de hospitalização na infância pode ser amedrontador e até mesmo traumático. A criança fica afastada dos ambientes que conhece, não consegue ir à escola, fazer as atividades rotineiras e não tem convívio com os que antes eram comuns. Não pode ir aonde quiser e quando quiser, tem horário para comer, passear, dormir, quando dá-se para fazer de forma tranquila sem a correria do hospital.

Geralmente as roupas são as hospitalares, há a presença de apenas um familiar e/ou responsável, dependendo o motivo de hospitalização seus próprios brinquedos não são permitidos, ou há uma limitação, tem-se o entra e sai do quarto por médicos e enfermeiras, além de estar doente, ter medicamentos e algum desconforto físico a mais.

Dentro do hospital há muitas regras, horários, coisas que se podem ou não serem feitas e a forma com que podem ser realizadas, e muitas vezes na ala pediátrica a única coisa que pode trazer um pequeno luxo aos pequenos é a Brinquedoteca.

Através do brincar há a possiblidade de expressão de sentimentos, escolhas, receios, hábitos, preferências, medos e decisões, brincando a criança pode elaborar suas experiências, refletir sobre o que é desconhecido e desagradável, bem como entender o que está acontecendo e o que poderá acontecer.

O espaço lúdico relaciona-se com quatro formas de agir e compreender o adoecimento. No momento em que está sendo realizado a criança parece não estar tão doente e/ou mal, considerando apenas um pequeno (a) brincando e sendo criança.

Primeiro o uso de brincadeiras e do lúdico como algo prazeroso a criança, que traz alegria, resgata a infância e afasta um pouco o adoecimento do ser. O lúdico se contrapõe a experiência do sofrimento e do adoecimento, fornecendo uma nova rede social e de possibilidades de relacionamentos e conhecimento da história do outro, trazendo a compreensão que o adoecer faz parte do viver.

Segundo o brincar facilita a interação entre os profissionais com a criança, as brincadeiras aproximam o paciente e o profissional, auxiliando no contato e enriquecendo a troca de relações. Além disso faz com que o paciente seja lembrado como criança, levando a necessidade de compreensão e sensibilidade em todo o tratamento. Também auxilia nas explicações de tratamentos, medicações e expressões de como eles se sentem diante ao que está acontecendo.

Terceiro a criança tem o direito a autonomia, tornando o espaço mais democrático e possibilidades de escolhas. Através do lúdico a criança opta ou não em realizar tal atividade, se expressa e toma conta de um espaço dela, em que ela pode opinar e decidir o que fazer ou não.

Quarto o brincar e o lúdico são forma de terapia na medida em que se configura como possibilidade de elaboração das experiências vividas relativas a hospitalização, permitindo expressar-se, entender o que está acontecendo, reduz medos, angustias e aflições, bem como entende-se o que se passa e há a possibilidade de reorganização de sentimentos.

Com a brinquedoteca passa-se a ter dentro do hospital um espaço terapêutico capaz de promover, além da continuidade do desenvolvimento infantil, a elaboração deste momento específico da vida da criança.

As brincadeiras e jogos promovem o próprio equilíbrio psicossomático, regulariza tensões, trabalha o emocional possibilitando a restauração de um equilíbrio emocional que reflete no físico, transpondo as barreiras do adoecimento e os limites de tempo e espaço entre o mundo real e o imaginário.

Autor

Yasmin Paciulo Capato

Yasmin Paciulo Capato é Psicóloga (CRP: 06 / 136448) clínica e atende as especialidade de Psicoterapia, Orientação Vocacional e Psicodiagnóstico na Clínica Vitalli.

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