O envelhecimento e a sexualidade

Assim como crescer, envelhecer faz parte do curso natural da vida, e junto dele há transformações físicas, sociais e emocionais como toda nossa vida e, diferente do que muitos podem pensar, o envelhecer e seu processo não está atrelado ao ficar triste, não “servir pra nada”, a enfraquecer, a esperar a morte e nem em tornar-se assexuado.

Os tabus e mitos sociais que permeiam a sexualidade, ficam ainda mais evidentes tratando-se da velhice, o que dificulta a discussão sobre o tema e nos traz a noção de que fica muito difícil, se não impossível, falarmos sobre isso com os mais velhos.

As gerações passadas foram mais opressoras, em sua maioria não houve diálogo sobre educação sexual, sentimentos, desejos e vontades. Faltou-se diálogo considerando que os genitores detinham o conhecimento e sabiam o que era melhor para suas proles, sem espaços a discussões, dúvidas ou explicações.

Sendo assim, se sentimentos “não podiam ser discutidos” na maioria dos lares, quem diria falar algo sobre sexo! E ainda mais no “fim da vida”, mas é necessário entender, discutir e exercer a sexualidade em cada um de nós, em todos as faixas etárias e momentos de nossas vidas.

Todos temos uma história única, singular e intransferível. É através delas que somos e significamos nossa existência, e é nessa história que aprendemos nossos prazeres e desprazeres da vida, é nela que expressamos nossa sexualidade e vamos em buscas de satisfação.

Há ausência de informação e noção, pensa-se que a sexualidade está atrelada apenas a genitalidade e procriação, e não é assim. A falta de compreensão e entendimento diante dessas crendices faz com que os idosos afastem-se da busca de prazeres e de seus próprios corpos, acreditando que isto não faz mais parte deles.

Toda via, a busca pelo afeto, pelo toque, pela intimidade, do cuidado, do carinho são simples e puras necessidade sexuais humanas, e porque, como ser humano, não deveríamos tê-las até o fim de nossas vidas?

Há uma mudança biológica e física, há dificuldades de ereção e em mantê-la, há a diminuição da lubrificação e dor na penetração, não se é tão viril como antes, e nem o folego é mais o mesmo, mas apenas isto basta para deixar uma vida toda, e o prazer que era tão presente, de lado apenas por estas pequenas alterações?

Hoje existem remédios para disfunção erétil, terapias hormonais para andropausa e menopausa. O envelhecer e ficar debilitado foi postergado e a aposentadoria não significa mais o fim de uma vida produtiva, mas sim uma nova possibilidade de vivencia.

Quem decide se haverá atividade sexual é o casal, ou a própria pessoa, e não a sociedade ou o que as pessoas em voltam acreditam que deva ser o correto. Sentir-se bem é a questão, seja através de um carinho, de passeios, de sexo ou até mesmo da masturbação.

Como qualquer um, em qualquer idade é necessário segurança e consciência. Sexo sem preservativos causam DSTs, e por mais improvável que possa parecer, pode haver uma concepção mesmo na idade “em que era pra ser avô/ó”. E se caso isto acontecer, tudo bem, as responsabilidades são pessoais.

Nosso corpo só pertence a nós, e quem melhor que nós para sabermos até onde podemos e queremos chegar? Se na cama as coisas não estão tão boas, sair da cama é uma opção para poder buscar nossas emoções, sensações e prazeres. Afeto e carinho não são sinônimo de penetração e podem não estar acompanhados.

O sexo pode estar presente de forma saudável, o companheirismo pode preencher esta lacuna, passeios e aventuras também podem tomar este espaço. Na verdade, o quê e, de que forma, não é a questão principal aqui.

Todos podemos e, devemos se assim for de nossos gostos, manter uma vida sexual ativa, ir em busca do que nos é bom e traz sensações de realizações. Basta entendermos que apesar de qualquer idade somos seres humanos movidos por desejos e necessidades.

Autor

Yasmin Paciulo Capato

Yasmin Paciulo Capato é Psicóloga (CRP: 06 / 136448) clínica e atende as especialidade de Psicoterapia, Orientação Vocacional e Psicodiagnóstico na Clínica Vitalli.

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