Beba menos, beba melhor

A clássica frase que quem trabalha com cerveja seja na produção, análise ou área comercial mais escuta: “nossa, você trabalha com cerveja, que legal! Deve beber todos os dias”. Galera, a gente não bebe todo os dias. Pra dizer bem a verdade, um cervejeiro degusta o mosto (cerveja quente em cozimento, não acabada, sem gás, sem maturar e fermentar) enquanto está sendo produzido. É a mesma lógica de um chefe de cozinha que prova o tempero do seu prato ainda em processo de produção.

Um sommelier degusta pequenas doses em situações de: análise de qualidade do produto, quando julga um concurso, em situações de treinamento ou degustação guiada. Pequenas doses mesmo; 80% do trabalho é feito pelo olfato. Literalmente um “cheirador” de copo.  É no olfato que se identifica muito sobre a cerveja, o paladar é complementar – de suma importância -, mas complementar!

Nos momentos de lazer em que estou sozinha degustando uma cerveja ou quando degusto para estudar, costumo consumir uma ou duas garrafas, no máximo. É o suficiente para me fazer relaxar e apreciar os rótulos que escolho. Dependendo da escolha, uma só já basta! Em situações mais descontraídas, como com amigos, esse volume pode aumentar um pouco e tudo depende da situação e se tem alguma comida para harmonizar.

Os momentos em que me permito beber mais são nos festivais que acontecem poucas vezes por ano. Afinal, sem hipocrisia, é realmente um paraíso estar em uma festa com rótulos excelentes escolhidos a dedo e à vontade. Isso não quer dizer que é certo chegar no festival para esculachar, passar dos limites e ser um bêbado chato. Todo evento cervejeiro disponibiliza água gratuitamente e sempre têm boas comidas, pois sabemos que se hidratar e estar bem alimentado é muito importante.

Quem aprecia beber bem investe dinheiro nos rótulos que escolhe, pois, convenhamos, a cerveja especial no Brasil é cara, sim! Além da questão financeira/econômica, está ligada ao conhecimento de culturas gastronômicas tanto nos exercícios de harmonizar comida e cerveja quanto no prazer da degustação. Nesse caso, prioriza-se a qualidade e não a quantidade. A cerveja é um alimento, tem ingredientes naturais que saciam a fome. Há anos atrás ela era tratada assim; o pão líquido. Experimente beber um estilo de trigo não filtrado, com certeza vai se sentir saciado por um bom tempo.

Escolha bem seus rótulos e aprecie sem pressa. Beba com moderação e diversão. Brinque com harmonizações; é um prazer imenso agregar uma boa comida com uma boa cerveja. Vamos falar disso no próximo artigo, altas dicas vão rolar.

Beba menos, beba melhor!

Autor

Karina Hauch

Publicitária e beer sommelière. Apaixonada por cerveja, fábricas e mundo cervejeiro. Adora conhecer novos rótulos e experiências gastronômicas. Sonha viajar o mundo em busca de cervejarias e acumular experiências em horas-copo.

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