Psicologia x Coaching

A cada dia o coaching vem ganhando mais espaço, mais voz e todos ouvem falar neste processo, porém muitos o confundem com a Psicologia e acreditam até que é um substituto para tal, mas não é por aí. Coaching e Psicologia/Psicoterapia são formas diferentes de trabalhar com o ser humano, bem como com formações, abordagens e técnicas diferentes.

Ambos trabalham com o processo de desenvolvimento humano, e visam o bem-estar do paciente, porém cada uma utilizam-se de suas metodologias, objetivos, focos e formas de trabalho.

A psicologia é uma ciência, constituída no final do século XIX, com conceitos, técnicas e abordagens sendo desenvolvidos até os tempos atuais. Tem a graduação como formação, é realizada no tempo de 5 anos e ao longo do ensino, possui estágios básicos e supervisionados, bem como supervisões relacionadas a realização dos estágios.

O coaching, origem na língua inglesa, era utilizada no século XVI para designar carruagem de 4 rodas, por volta do século XIX a palavra Coach começou a ser utilizada como sinônimo de “tutor particular”, “condutor” e”preparador” e no século XX, apareceu na literatura associado a habilidades de gerenciamento de pessoas. A formação é realizada através de curso, com duração máxima de 180 horas (Instituto Brasileiro de Coach).

A psicologia possui uma formação ampla e abrangente, preparada para lidar com os mais diversos tipos de situações e momentos de cada pessoa em vários contextos. Amparada por teorias e técnicas, cada uma dentro da abordagem escolhida pelo psicólogo, compreende o ser humano como um todo e é flexível diante o objetivo ou problemática trazida para o atendimento.

O coach possui sua formação voltada a objetivos comportamentais específicos, geralmente buscando o sucesso na área X a qual atua. O profissional busca resultados e direciona suas ações, como se estivesse treinando seu cliente.

Devido a formação mais completa, o psicólogo trata as questões trazidas de forma mais profunda, ele explana as questões, investiga, e junto ao paciente criar formas de trazer à tona as problemáticas, bem como supera-las. Seu trabalho é baseado, no passado e presente, considera todas as mudanças de vida do sujeito, e ensina a pessoa a se responsabilizar pela sua própria vida e como lidar com o que acontece a ela. Na psicoterapia, o terapeuta trabalha com questões superficiais e profundas. Há redirecionamento de resultados considerando a evolução e acontecimentos na vida do paciente, considerando a demanda que este apresente, a queixa inicial e a evolução psicoterápica.

O Coach é um profissional objetivo que direciona suas técnicas para o redirecionamento das energias emocionais, impulsos e vontades da pessoa para a realização do objetivo estipulado no início do tratamento e possui tempo definido de trabalho. Trabalha na assertividade, na gestão de carreira e em perspectivas futuras com foco no presente e o futuro, com olhar na solução e não na resolução do problema em si.

A psicoterapia é indicada para autoconhecimento, soluções de problemas, disfunções, transtornos psicológicos ou psiquiátricos e as mais diversas orientações. Diagnosticada a questão ou problema, traz-se à tona e realiza intervenções para superação, solução ou formas de enfrentamento, trabalhando todos os aspectos da vida da pessoa.

A psicoterapia é indicada para autoconhecimento, soluções de problemas, disfunções, transtornos psicológicos ou psiquiátricos e as mais diversas orientações.

No coaching não são realizados diagnósticos, nem orientações. Não se lida com traumas, problemas passados, ou sentimentos que sejam conflitantes para o cliente. É utilizado para apoio diante o objetivo pessoal, identificador de limitações e possibilidades pessoais e profissionais, trabalhando com o empoderamento.

Apesar do coaching não ser uma técnica psicoterapêutica, pode funcionar terapeuticamente para o cliente que conquista qualidade de vida, desenvolvendo pessoalmente e/ou profissionalmente.

No coaching não são realizados diagnósticos, nem orientações. Não se lida com traumas, problemas passados, ou sentimentos que sejam conflitantes para o cliente.

O Conselho Federal de Psicologia (CFP), diante a prática coach, explica que:

“O profissional intitulado Psicólogo tem seus métodos e técnicas fundamentados em conhecimento teóricos e metodológicos sistematizados e reconhecidamente advindos de reflexões e pesquisas referenciadas. Portanto, a prática de técnicas aplicadas pelo profissional que se denomina coaching não é um conhecimento da Psicologia ou pertence a qualquer uma das suas especialidades. Assim, os profissionais da Psicologia que atuam com essa formação não devem associar suas ações às práticas psicológicas. Essa diferenciação se faz necessária, para que a categoria e a sociedade civil estejam informadas sobre a efetividade da Psicologia como fundamento na formação de seus profissionais.”

Métodos e técnicas  psicológicas com os objetivos de diagnóstico psicológico, orientação e seleção profissional, orientação psicopedagógica e solução de problemas de ajustamento que são privativas do psicólogo que são de uso privativo do psicólogo formado e inscrito, e ressalta ainda que qualquer profissional que não esteja inscrito no CRP e que desenvolva atribuições de psicólogo pode responder por exercício ilegal da profissão.

A terapia lida com a psique, trabalha com problemas psicológicos, comportamentais e emocionais, autoconhecimento e orientação, já o coach com resultados, metas e objetivos. As duas áreas de conhecimento são valiosas e complementam-se, mas devem ser utilizadas de formas individuais e por profissionais diferentes, não relacionando-se uma com a outra.

Autor

Yasmin Paciulo Capato

Yasmin Paciulo Capato é Psicóloga (CRP: 06 / 136448) clínica e atende as especialidade de Psicoterapia, Orientação Vocacional e Psicodiagnóstico na Clínica Vitalli.

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