Todos pela vida

Setembro amarelo chegou, novamente voltamos a falar sobre suicídio e buscamos de várias forma evitá-lo. Não apenas o suicídio, mas também todos os sentimentos ruins e devastadores que alguém pode ter por tanto e tanto tempo. Dia 10 de setembro é o Dia Mundial para atenção a prevenção ao suicídio, mas todos os dias devemos prevenir.

Se nos assustamos em ler ou ouvir que um adulto cometeu suicídio, o que acontece quando uma criança o faz? Sim, crianças também comentem suicídio. Depois de muito sofrimento tiram a própria vida buscando uma punição ou um alívio da dor e culpa, assim como os adultos.

Cada dia que passa a dor só aumenta, dá um desespero, chega a ser insuportável saber que é necessário viver mais um dia. O sofrimento físico e emocional só ficam maiores, você não consegue falar sobre sua tristeza e seus sentimentos, ou se fala, parece que ninguém consegue realmente acreditar em você, há o sonho de um mundo melhor, a vontade de que o sofrimento acabe, e que o mundo mude. Será que é possível isso?

A falta de esperança e o extremo desespero fazem parte da vida de quem pensa em suicídio, seja pelo motivo que for e no momento que for. Quem nunca se viu em uma situação que lhe “tirou o chão” e lhe deixou desnorteado? Mas sempre tem o dia seguinte né?! Para alguns um alívio, para outros só mais um dia que não terá fim.

Problema de saúde pública, tabu, proibido e mal discutido. O suicídio é o desejo consciente de morrer e a noção de que o ato executado pode resultar na morte. Quem busca o suicídio não tem clareza se quer ficar dormindo ou acordado, se quer comer ou passar fome, se deve tomar banho ou não, ele está apenas ali, tentando sobreviver a todos esses eventos e sentimentos que lhe fazem tão mal e causam tanto desespero.

O silêncio pode ser o grito de socorro, e neste grito é preciso atenção, cuidado e empatia por nós e pelos outros. Não se cala sentimentos, reflete-se sobre eles, mas nunca se esconde, oculta ou ignora. É necessário aprender a lidar com as coisas boas e ruins, a pedir ajuda e não suportar tudo e todos. Somos humanos, somos sensíveis, precisamos de cuidados e de ajuda.

Sair dessa de “Quem quer se matar se mata” é primordial. Muitas outras variáveis estão em jogo aqui. Ao receber ajuda preventiva, ou uma oferta de socorro as pessoas podem colocar todos esses sentimentos aversivos, pesados e extremamente tóxicos pra fora e alterar seu estado interior. A vontade de viver vai brigar muito contra o desejo de autodestruição, então há esperanças ainda, mesmo que pareçam mínimas.

Você sabia que o bullying é um dos grandes gatilhos para o suicídio? Pense antes de falar, não saia falando tudo por ai, antes de falar ou fazer algo com o outro reflita sobre se gostaria que fizessem isso com você, ninguém é melhor que ninguém, respeite as singularidade de cada um, e ao invés de atrapalhar e atormentar, que tal ajudar e respeitar?

Se você está mal, com muita coisa sobre si, com pensamentos que não estão te fazendo bem, procure ajuda. O Centro de Valorização da Vida (CVV)* pode te ajudar, bem como uma pessoa em que você confie e a psicoterapia serão alicerces para sua reestruturação interna e saída deste momento.

Você gostaria de fazer mais? Você pode! Está vendo que a pessoa não está bem? Chegue para conversar com ela! Às vezes o que ela precisa é apenas ser ouvida, e lembre-se que o que ela está passando é real e doloroso para ela, tenha empatia. No Facebook existe uma ferramenta em conjunto ao CVV para denunciar posts que possam ter algum conteúdo de pensamento suicidas ou automutilação. O Instagram também lançou companhas de conscientização que você pode estar aderindo nos seus stories, para ajudar a si e aos outros. Você também pode ser um voluntário da CVV, acesse  www.cvv.org.br/voluntario, para saber mais e ajudar aquele que precisam.

A CVV agora está com um número gratuito e voluntário para todos que precisam de conversar em qualquer horário do dia, ligue 188 e compartilhe sua dor, ansiedade e sofrimento. Você pode acessar também pelo https://www.cvv.org.br/, lá você tem acesso pelo chat e pelo e-mail, que é respondido em 1 dia.

Falar sempre será a melhor solução. Você não é o único a passar por momentos difíceis ou precisar de ajuda. Somos todos humanos, sentimos, vivemos, rimos e choramos e juntos, conseguimos superar muita coisa, você é especial e merece todo respeito.

Autor

Yasmin Paciulo Capato

Yasmin Paciulo Capato é Psicóloga (CRP: 06 / 136448) clínica e atende as especialidade de Psicoterapia, Orientação Vocacional e Psicodiagnóstico na Clínica Vitalli.

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