‘Fazer cerveja dá trabalho, porém o prazer é ainda maior’

O mestre cervejeiro, Clayton Bonfiglioli, conta como começou a produzir sua própria cerveja, quais experiências já fez com frutas e especiarias, e seus projetos para difundir cada vez mais a cultura cervejeira.

Hoje (27/04) apresentamos a 25ª história da nossa série de reportagens “Personagens de Cravinhos”. O projeto consiste em mostrar, um pouco das pessoas que levam o nome da cidade por todos os cantos do mundo, bem como se destacam no próprio município, com seus empreendimentos, talento, simplicidade e carisma.

E vamos contar a história de Clayton Eduardo Fraga Bonfiglioli, 48 anos, cravinhense que tem como profissão vendedor, entretanto se destaca de uma outra forma, sendo “mestre cervejeiro” e criando suas próprias cervejas, sejam elas tradicionais ou com as mais variadas especiarias.

Clayton Bonfiglioli, é natural de Cravinhos, sempre estudou nas escolas públicas da cidade, se formou em Contabilidade em 2000, mas nunca exerceu a profissão. Já foi bancário por 16 anos, iniciando em agências da cidade e depois de diversas transferências passou por vários municípios do interior de São Paulo.

“Quando sai do banco fui me aventurar nas terras da família, onde plantei pés de seringueira e desenvolvi projeto de cultivo de cogumelo, experiência única posso dizer, atualmente trabalho como representante comercial de várias linhas”, conta Clayton.

Clayton Bonfiglioli decidiu por produzir a sua própria cerveja, e tem divulgado a cultura cervejeira
Foto: Arquivo Pessoal

E foi nesse meio tempo que surgiu o interesse por fazer a sua própria cerveja, por isso foi realizar diversos cursos de produção de cerveja.

“Como todo conhecimento tem que ser colocado em prática, comecei a fazer esse bendito líquido denominado cerveja, me apaixonei e nunca mais parei de produzir”, diz Clayton Bonfiglioli.

E nessa semana a nossa reportagem teve um bate-papo bem descontraído com o mestre cervejeiro, Clayton Bonfiglioli, e claro que não faltaram aquelas cervejas bem geladas e especiais. Acompanhe!

A primeira cerveja que Clayton produziu foi para o casamento de sua cunhada
Foto: Arquivo Pessoal

InterTV Web – Qual foi a primeira cerveja que você produziu?

Clayton Bonfiglioli – Foi uma Blonde Ale, para o casamento da minha cunhada.

InterTV Web – Acredita que a fabricação de cerveja artesanal se popularizou?

Clayton Bonfiglioli – Sem dúvida que nesses últimos anos ela deu um salto muito grande e os consumidores se familiarizaram com o termo “puro malte”, e ficaram mais exigentes a ponto de grandes marcas começarem a diversificar e adquirir cervejarias artesanais famosas para aumentar seu portifólio e atender esse público.

InterTV Web – Qual a cerveja de sua preferência?

Clayton Bonfiglioli – Além das Ipa’s [risos], também a Belgian Golden Strong Ale.

InterTV Web – Quantos tipos de cerveja você produz para venda?

Clayton Bonfiglioli – Creio ter feito mais de 30 estilos diferentes já, por ser artesanal, muito artesanal a produção ainda é baixa. Porém consigo fazer praticamente todos os estilos.

Foto: Arquivo Pessoal

InterTV Web – Já teve pedido de produção de algum tipo de cerveja com ingrediente diferente?

Clayton Bonfiglioli – Sim, várias, gosto muito de usar tudo natural (frutas e especiarias). Já fizemos Blonde Ale de Romã, Cream Ale de Jasmim (dica de uma amiga), Saison de Hortelã, Fruit Beer (morango, cereja, amora e framboesa), de hibisco, entre outras. Além da Witbier, estilo trigo, com cascas de frutas cítricas e coentro, bem tradicional.

InterTV Web – Você já teve a oportunidade de conhecer diversas fábricas de cerveja? Qual mais te encantou?

Clayton Bonfiglioli – Sempre que tenho oportunidade gosto muito de visitar as cervejarias, pessoal muito agradável e simpático, falar de cerveja é muito bom, papo rola solto. Dicas e tudo mais. Baden Baden em Campo do Jordão, foi a primeira que visitei, há muito tempo atrás, clima propício, companhia boa e cerveja maravilhosa. Dali em diante nunca mais parei.

InterTV Web – O que Cravinhos significa em sua vida?

Clayton Bonfiglioli – Cravinhos é uma cidade muito boa, nasci e fui criado aqui, apesar de ter rodado um pouquinho, mas minhas raízes estão estabelecidas aqui.  Amor, carinho, amigos, resumindo – VIDA.

InterTV Web – Qual a história mais marcante que você tem com Cravinhos?

Clayton Bonfiglioli – Vixe, nossa …  Têm muitas para contar, algumas podem outas não [risos]. Vamos lá a inauguração do Estádio de Futebol (chamado de bola), pode ser essa. Cravinhos sempre teve categorias de base no futebol muito boas e jogávamos no estádio do CAC (tem também muita história), nosso time era muito bom, então fomos nós que estreamos o estádio. Na época era muito jovem e gostava muito de futebol, então marcou.

InterTV Web – Qual a história mais marcante que você tem com o mundo cervejeiro?

Clayton Bonfiglioli – Tem várias encontros muito bons com cervejeiros. Aquela coisa “você não faz amizade tomando leite”. Acho que o de Analândia foi o melhor, tinha 7 cervejeiros de vários lugares (parece conta de mentiroso 7 hahaha), mas eram de Analândia, Leme, Santo André, Campinas e Cravinhos, cervejeiros que produziam 40 litros e outros com 7.500 litros/mês, todos se ajudando e trocando ideias diferentes e técnicas variadas, quando os cervejeiros se encontram, é assim o ambiente muda, se transforma em algo sem explicação e isso que é gostoso. Essa ajuda sem competição, troca de garrafa e assim vai. Foi o melhor!

InterTV Web – Qual o seu projeto para Cravinhos no âmbito cervejeiro?

Clayton Bonfiglioli – Há um ano e meio atrás, eu e uns amigos cervejeiros (todos um pouco loucos), começamos a conversar sobre um projeto de montar uma cervejaria aqui em Cravinhos. O projeto ainda está de pé, mas tivemos que dar um stand by. Mas com certeza, nós malucos por essa bebida milenar, iremos montar uma cervejaria aqui em Cravinhos.

“Minha produção ainda é pequena e completamente artesanal, mais por hobby que para vender”
Foto: Arquivo Pessoal

InterTV Web – Fazer a sua própria cerveja é um sonho que todos têm?

Clayton Bonfiglioli – Não posso falar por todos, mas gostaria muito que todos tivessem esse pensamento, fazer cerveja dá trabalho, porém o prazer é ainda maior.  Quando você abre aquela ‘breja’ gelada e dá aquele gole saboreando o líquido e depois fala: ‘essa fui eu quem fiz [risos], não tem nada mais gostoso.

InterTV Web – Quem quiser adquirir suas cervejas como faz?

Clayton Bonfiglioli – Minha produção ainda é pequena e completamente artesanal, mais por hobby que para vender, para os conhecidos mesmo, não faço isso para obter lucro ainda. Gosto de difundir a cultura cervejeira, harmonizar uma deliciosa cerveja com outros alimentos, essas coisas, digo que sou mais entusiasta do que tudo. Então podem me chamar no WhatsApp (16) 9-9411.9144.

“Quando você abre aquela ‘breja’ gelada e dá aquele gole saboreando o líquido e depois fala: ‘essa fui eu quem fiz [risos], não tem nada mais gostoso”
Foto: Arquivo Pessoal

InterTV Web – Suas considerações finais.

Clayton Bonfiglioli – Agradeço o espaço dedicado a Cultura Cervejeira e é muito importante isso e quer queira quer não, são poucas essas oportunidades, mas vamos com certeza mudar isso. Após todos terminarem de ler, espero que fiquem com vontade de tomar uma cerveja [risos], abra e se permita conhecer outros sabores. Slàinte!

Kennedy Oliveira

É formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pelas Faculdades COC (atualmente Estácio). É pós-graduado em Comunicação: linguagens midiáticas, pelo Centro Universitário Barão de Mauá.

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