‘Ir para o Chile, com meu time amador Gupa, foi sem dúvida a grande realização’
Gullit Pádua se iniciou no vôlei nas aulas de Educação Física, atuou em grandes equipes de base e profissional, e agora se dedica a Comissão Técnica de duas equipes.
Hoje (23/03) apresentamos a sétima história da nossa série de reportagens “Personagens de Cravinhos”, em que estamos retratando diversas pessoas do município cravinhense, que celebrou seus 145 anos no dia 19 de março. O projeto consiste em mostrar, um pouco das pessoas que levam o nome da cidade por todos os cantos do mundo, bem como se destacam no próprio município, com seus empreendimentos, talento, simplicidade e carisma.
E vamos contar a história de uma pessoa que desde cedo se destacou nas quadras poliesportivas da cidade. E em um esporte que ainda não era tão popular, o vôlei. Estamos falando do atleta Gullit de Pádua Adolpho, 31 anos, que descobriu a sua paixão pela modalidades nas aulas de Educação Física.
“Estudei no Colégio Tom Jobim e as aulas de educação física foram divididas por semestres, no segundo semestre era voleibol e minha sala tinha muitas meninas que jogavam no time do CTC (Cravinhos Tênis Clube), então a adaptação da modalidade foi bem grande pela sala. Na cidade não existia equipe masculina da minha idade e o jeito era treinar com as meninas”, explica Gullit.

Foto: Arquivo Pessoal
Foram três anos de treinos com a equipe feminina, jogando na escola e invadindo as aulas das séries acima. Foi quando em 2005 a equipe do Banespa/São Bernardo realizou uma “peneira” em Ribeirão Preto e ele se inscreveu.
“Sem ninguém saber me inscrevi, passei pelo processo seletivo e fui escolhido para ir fazer uma nova bateria de testes em São Bernardo. Entre mais de mil garotos, fui escolhido para fazer parte da equipe infanto-juvenil do Banespa”, diz o atleta cravinhense.
Foi nesse momento que começou a sua carreira de forma profissional, inclusive atuando ao lado de grandes atletas. Atualmente ele parou de jogar, mas ainda está envolvido na modalidade, uma vez que faz parte da Comissão Técnica do “Vôlei Ribeirão Preto”, que disputa a Superliga de vôlei masculino, e é técnico da equipe feminina de Cravinhos na modalidade.
E nessa semana a nossa equipe de jornalismo esteve com Gullit Pádua para um bate-papo, onde ele explica o que seria se não tivesse sido jogador, seus projetos, como ingressar em uma equipe de ponta e muito mais. Acompanhe!

Foto: Arquivo Pessoal
InterTV Web – Se você não fosse jogador de vôlei, o que pensaria em ser?
Gullit Pádua – Biólogo, me lembro de não perder o Globo Repórter as sextas-feiras pra assistir os programas de animais junto com minha mãe e avó. Era um sonho fazer expedições na Amazônia.
InterTV Web – Você se destacou em diversos clubes, e vem ganhando seu reconhecimento na modalidade agora na Comissão Técnica. Qual foi a maior sensação que você já teve como atleta?
Gullit Pádua – O famoso conseguir chegar… Quando você é jovem no esporte, você vive a expectativa de ser atleta adulto profissional. Você passa as categorias de base literalmente ralando e quando você consegue estar, vivendo dia a dia de atleta, viajando e competindo é fantástico, essa com certeza foi a melhor felicidade.
InterTV Web – Você hoje atua na estatística de um clube de ponta e também comanda a equipe feminina. Qual é o mais gratificante e de sua preferência?
Gullit Pádua – São caminhos diferentes, quantificar e qualificar… As duas estão juntas, mas com toda certeza atuar, montar, dar treinos, viver a adrenalina de jogos como “comandante” é um algo a mais. Você tem a representatividade daquilo que você acredita que é correto, e transmitir isso para as atletas é muito gratificante.
InterTV Web – Qual o momento mais marcante que você teve com o vôlei?
Gullit Pádua – Por incrível que pareça foi no amador. Claro que as alegrias do profissional são bem marcantes. Mas, ir para o Chile, com meu time amador Gupa, foi sem dúvida a grande realização, foi de uma felicidade e luta tão grande que isso me fez entender todo o lado profissional.
E hoje, o trabalho que realizo com as meninas de Cravinhos, a pouca cultura de voleibol na cidade, a qualidade que hoje estamos é tão presente na vida delas, cada treino é uma emoção e evolução que me encanta profundamente. Ver que o aprender e desenvolver o voleibol com elas se tornou um gosto diário.

Foto: Arquivo Pessoal
InterTV Web – Qual a história mais marcante que você tem com a cidade de Cravinhos?
Gullit Pádua – Raízes, tudo o que diz respeito à vida, cresci, estudei, fui embora e voltei. Meu cantinho, onde encontro a minha paz. Aquela sensação de conforto que acalma a alma e o coração. Toda volta para Cravinhos, quando era garoto, vindo no ônibus de São Paulo, quando passava o último pedágio e via as luzes da cidade pela pista, era a sensação mais prazerosa e marcante. Até hoje quando viajo com a equipe de vôlei, me emociono ao descer ali no ponto da cidade.
InterTV Web – O que Cravinhos significa em sua vida?
Gullit Pádua – Alegria, Paz e Esperança no Esporte. Onde minha família vive, meus pais, minha avó. Onde eu trabalho, onde eu ensino, onde eu vejo que coisas boas podem acontecer no voleibol.
InterTV Web – Qual a mensagem que você deixa para Cravinhos em seus 145 anos?
Gullit Pádua – Prosperidade, que toda a população lute pela qualidade, de oportunidades e de deveres. Que a cumplicidade e amor pelas raízes de cada morador a faça grande e melhor sempre. Se todos fizerem algo de especial e contribuírem para o crescimento, sempre teremos a nossa Cravinhos, de braços abertos para nos acolher.
InterTV Web – Suas considerações finais.
Gullit Pádua – Gratidão, por todas as oportunidades, por todos os retornos a minha cidade, pelo trabalho e pela chance de ensinar um esporte tão lindo como o vôlei.

