O que tem de bom?

Já viram aquela pessoa que implica ou reclama de tudo?

Pois é! Ela se torna um saco tão grande que quase ninguém su­porta carregar.

Seu pessimismo faz mal. De tudo reclama e não tem a mínima sensibilidade pra perceber que o problema muitas vezes é com ela mes­ma.

Gente neurótica, isso sim.

A fila do supermercado está grande, reclama. Faltaram dez cen­tavos no troco da farmácia, resmunga. O dentista, sempre pontual, atrasou um dia, ela ameaça fazer uma denúncia no Conselho Federal de Odontologia. Fogo de palha. Intimida toda vez e nunca sai disso. O negócio é fazer alarde, e aparecer, claro, já que sofre de carência afetiva por não ter amigos que a suportem.

A criatura acha que pode fazer escândalo em toda e qualquer situ­ação, pois é sempre a vítima, a lesada.

O ônibus está lotado, já entra xingando, estragando o dia de todos que ali estão. Se está sentada, reclama do calor e jamais oferece seu lu­gar ao idoso que parou do seu lado.

O cachorro late na rua, ela o amaldiçoa. O gato mia, ela quer ma­tá-lo.

Ao seu bom dia, às sete da manhã, ela retruca com um “tem nada de bom pra mim”.

Você se aproxima todo alegre contando que vai fazer uma viagem, ela comenta que a estrada é perigosíssima e que várias pessoas já morreram ao passarem por lá. Aí ela dá detalhes dos acidentes. Você fica bastante animado com tanta positividade.

As datas festivas são sempre detestáveis. A enfermidade de espí­rito é tão absurda, que a pessoa não gosta de Natal porque é triste, de Ano Novo porque tem barulho, de Páscoa porque engorda e por aí vai. O sentido das comemorações, ela abstrai. Criticar é o bastante, o tônico a alimentar sua alma.

Ela tem mil livros de autoajuda, com palavras que não fazem nem cócegas no seu íntimo.

– Oi, amiga, tudo bem?

– Não! Se eu estivesse bem, estaria em Paris.

É assim mesmo que, secamente, ela te responde.

– Posso te ajudar em alguma coisa?

– Ah, pode! Arrume um novo emprego pra mim, com o melhor salário. Encontre um homem que me ame e que seja lindo e rico. Pague minhas contas, que fica tudo certo. Será uma grande ajuda.

Desconcertadamente, você sorri e insinua ter levado na esportiva. A situação causa um desconforto grande e sua vontade é mandar esse ser fracassado pra uma pequepê qualquer.

Sem palavras, sua cara é de bobo alegre. Bobo alegre, mas bem feliz e otimista, pois estuda, batalha pra ter sucesso e sorri apesar dos percalços. É o que, às vezes, incomoda muita gente.

Quer saber? A próxima vez em que ela reclamar da chuva não a deixou dormir, peça a ela pra ceder sua casa e sua cama àquela família que ficou sem teto devido à mesma chuva.

Lucimara Souza

Formada em Letras, Pedagogia e especialista em Comunicação: linguagens midiáticas, atualmente professora. Aprecia a escrita permeada pela criatividade, humor e certa dose de sarcasmo.

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