‘Sem meus alunos, eu não seria feliz’

Juscelino, casado, com dois filhos e um neto, começou a lecionar em 1964 em Delfinópolis (MG)

Hoje (15/10) poderia ser uma segunda-feira normal, entretanto comemora-se o Dia do Professor. E quem não se lembra do primeiro professor ou daquele que mais marcou sua vida?

Uma das profissões mais antigas do mundo tem sido bastante desvalorizada. Poucos são atraídos pela carreira de professor, embora muitos tenham consciência de que é através da educação que se pode transformar o mundo.

Professor é aquele que encara com amor seu ofício de transmitir conhecimentos e valores, resgatando a autoestima dos alunos, oferecendo-lhes a atenção muitas vezes não encontrada em seus lares e preparando-os para a vida. É ter entusiasmo e alegria e, desta forma, despertar saberes e conquistar seus alunos.

“A sala de aula, os alunos, a educação, são a minha razão de ser quem sou”.

Uma dessas pessoas que melhor retrata esse cenário é o professor Juscelino Pernambuco, 73 anos, Doutor em Educação pela USP e Mestre pela UNESP, em Letras.

“Desde criança mostrei um certo pendor para ensinar. Gostava de ajudar meus colegas com dificuldades nas matérias e os convidava para a minha casa e dava aulas para eles, como se já fosse um professor. O certo é que um dia entrei em uma sala de aula e nunca mais saí. Sou muito feliz sendo o que sou e o que nasci para ser: professor”, comenta, o sempre sorridente, Juscelino Pernambuco.

Casado, com dois filhos e um neto, ele começou a lecionar em 1964, em Delfinópolis (MG), mas é natural de Jureia (MG). Atualmente reside em Batatais (SP) e continua a ensinar e propagar a Educação por onde passa.

E nesse Dia dos Professores, a equipe da InterTV Web o entrevistou em homenagem a todos os educadores.

Intertv Web – Como enxerga a Educação no País hoje? O que poderia ser diferente?

Juscelino Pernambuco – Tudo poderia ser diferente se a educação não tivesse se tornado o que se tornou: um estorvo para os governantes e uma fonte de lucro para empresários. Educação tem de ser a prioridade máxima de um país. Só a educação será capaz de dar um rumo ao nosso Brasil, hoje e sempre.

Intertv Web – Para você, qual é a principal dificuldade que um docente enfrenta no dia a dia? E o que é mais gratificante?  

Juscelino Pernambuco – As maiores dificuldades são a falta de boas condições de trabalho, o salário cada vez mais reduzido, as salas superlotadas, as incompreensões e a falta de apoio da sociedade. As gratificações vêm dos alunos com os quais convivemos.

“Só a educação será capaz de dar um rumo ao nosso Brasil, hoje e sempre”.

Intertv Web – Você é uma pessoa que todos os alunos gostam e respeitam. Nos tempos atuais o que fazer para ser tão admirado pelos alunos?  

Juscelino Pernambuco – Sou muito grato aos alunos que me querem bem, respeitam-me e reconhecem o meu trabalho. Podem ter a certeza de que sem meus alunos, eu não seria feliz. A sala de aula me dá mais vida, mais felicidade, nunca entrei em uma sala de aula, contrariado, ou desgostoso. Entrego-me de corpo e alma ao meu trabalho de professor.

Intertv Web – Qual o momento, durante a sua trajetória em sala de aula, ficou marcado para sempre em sua memória?  

Juscelino Pernambuco – Foram muitos momentos bons, inesquecíveis e emocionantes, mas houve um que ficou marcado para sempre. O dia em que um aluno de ginásio entrou em minha sala de diretor de ginásio em Minas Gerais e falou comigo: – Vim agradecer o senhor, porque o senhor trata a gente com tanta educação e respeito que a gente fica com vergonha de não ser bom aluno e acaba se esforçando para melhorar.

Intertv Web – Você acredita que possa diminuir o interesse das pessoas em escolher a profissão de professor?

Juscelino Pernambuco – Infelizmente tem acontecido isso. A nossa carreira está perdendo o encanto e a atração.

Intertv Web – Se pudesse escolher outra profissão, qual seria?

Juscelino Pernambuco – Eu seria, certamente, advogado criminalista.

Intertv Web – Qual conselho você daria para quem planeja seguir essa carreira?

Juscelino Pernambuco – Só posso dizer que com 54 anos de carreira, completados em agosto, sou muito, muito feliz como professor. A sala de aula, os alunos, a educação, são a minha razão de ser quem sou.

Intertv Web – O que significa ser professor para você?

Juscelino Pernambuco – Significa poder ajudar os alunos a descobrir o seu lugar no mundo e a saber como se posicionar diante da vida.

“Educar é entrar na alma dos alunos, é ajuda-los a abrir as janelas do mundo para que a alma deles respire melhor e a vida de cada um se torne mais leve”.

Intertv Web – Qual a mensagem que deixaria a todos os seus colegas de profissão nesse dia 15 de Outubro?

Juscelino Pernambuco – Ser professor é saber dar uma das mais belas contribuições à humanidade: ajudar os alunos a descobrir o sentido da vida. Educar é entrar na alma dos alunos, é ajudá-los a abrir as janelas do mundo para que a alma deles respire melhor e a vida de cada um se torne mais leve. Portanto, por mais que tenham dificultado o nosso trabalho a cada dia, a cada ano, e é o que têm feito, não podemos perder de vista este fato: nós podemos ajudar a melhorar a vida do nosso país, se formarmos o caráter de cada um de nossos alunos.

Intertv Web – Suas considerações finais.

Juscelino Pernambuco – Quero homenagear as minhas professoras do antigo Grupo Escolar “Dr. Lycurgo Leite”, da minha inesquecível Jureia, em Minas Gerais. Sou capaz de agora, nesta entrevista feita por um aluno querido, lembrar-me dos gestos de ternura e acolhimento de cada uma delas, mulheres e mães maravilhosas. Como elas se fizeram presentes e se fazem na minha vida de professor! Eu seria muito feliz se pudesse, neste dia, encontrar-me com elas e dar-lhes um carinhoso beijo de agradecimento e respeito. Tenho certeza de que minhas professoras me ajudaram a ser o homem, o pai, o avô e educador que sou. Peço a Deus que dê às minhas mestras amadas muita paz e alegrias, onde quer que elas estejam. Um abraço.

Autor

Kennedy Oliveira

É formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pelas Faculdades COC (atualmente Estácio). É pós-graduado em Comunicação: linguagens midiáticas, pelo Centro Universitário Barão de Mauá.

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