Pra quem ama lúpulo, bora ver o que acontece de bom na Escola Americana

Sabia que as cervejas de produção de larga escala industriais, que nossos pais, avós e a galera que ainda não entrou no mundo artesanal curte beber, têm grande influência americana? As American Stand Lagers, comercialmente chamadas de pilsens (e agora é moda ser chamada de puro malte – que eu chamaria de puro marketing hehe) nasceram após a lei seca que proibiu a produção e comercialização de insumos cervejeiros. (Num outro bate papo, a gente fala com mais detalhes sobre essa treta americana). Após a falta de insumos provenientes da lei seca, nasceu uma nova forma de fazer cerveja com grande parte da composição feita com grãos não malteados, como o milho e o arroz, que substituíram bem os grãos malteados. E o que tem de errado com isso? Nada, amigos. Tem quem goste e vamos respeitar isso, ok? Isso só prova a criatividade da galera em não ficar sem cerveja. Pode faltar tudo, mas faltar cerveja é demais!  Além do quê, essas indústrias movimentam o mercado cervejeiro de uma forma bastante positiva.

Mas vamos falar hoje da cerveja artesanal, ou especial, como queira chamar.  Eu gosto de falar de cerveja viva, acho o termo bonito. Então, sem mais embromations, bora começar de fato o assunto que vos interessa: hoje é dia de escola americana, my friends.

Podemos resumir a escola americana em uma plantinha mágica que a gente ama muito: o lúpulo!

Após o período escasso da lei seca, as microcervejarias voltaram aos poucos ao mercado e foram retomando os estilos de grande qualidade que tinham, e resgatando os estilos e influências europeias, mas claro, com toque lupulado, ousado, extravagante e americano de ser.

Mais lúpulo, mais malte, mais sabores e por que não, mais álcool?

A Escola Americana, em meio a tantas reinvenções, é a que mais tem variedade de estilos. Não vai dar pra falar de todos nesse artigo. Posso indicar os mais conhecidos: American Pale Ale (APA) e American Indian Pale Ale (IPA). A IPA é tão amada e consumida no mundo, que até existe uma data comemorativa para ela. E graças aos lúpulos, festas para apreciar essas cervejas. Cheers!

Os EUA e Canadá, sendo países ricos em produção própria de maltes e lúpulos, possuem maltes mais leves e não deixam o sabor abiscoitado como os alemães e ingleses. Já os lúpulos, outra história. MUITO mais aroma e sabor. Variedade enorme também e no geral características mais cítricas, sabor mais amargo e aromas mais exóticos. Com quase o dobro de potencialidade de aroma em relação aos lúpulos ingleses.

Lembra que eu disse que na escola inglesa equilíbrio é a palavra? Na americana, a palavra é de novo… lúpulo!

Além de ser um ingrediente para sabor, amargor e aroma, os americanos ainda utilizam uma técnica de potencializar o perfume. Dry Hopping! É uma técnica de agregar lúpulos de aroma a frio, praticamente no final da maturação, deixando a cerveja ainda mais perfumada.

Geralmente os estilos de cervejas americanos são para beber fresco.  Com o passar do tempo, o aroma e o amargor tendem a desaparecer. Não tenha dó de desfrutar sua garrafa. Compre, abra, beba e aproveite bem o frescor.

Por esse motivo eu particularmente prefiro comprar cervejas de estilo americano de produção nacional, para ter melhor aproveitamento desse frescor. São estilos que eu prefiro beber local em vez de importar, uma vez que as coitadas sofrem tantos no processo da viagem e tadinhas, chegam aqui em outra realidade do que são de verdade.

Karina Hauch

Publicitária e beer sommelière. Apaixonada por cerveja, fábricas e mundo cervejeiro. Adora conhecer novos rótulos e experiências gastronômicas. Sonha viajar o mundo em busca de cervejarias e acumular experiências em horas-copo.

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