“Não existe vida sem arte e sem Cultura”

Maria Fernanda Molezini tem uma vida dedicada a Prefeitura Municipal de Cravinhos, e é moradora tradicional da Rua XV de Novembro, onde viu e construiu muitas histórias culturais.

Hoje (01/05) apresentamos a 27ª história da nossa série de reportagens “Personagens de Cravinhos”. O projeto consiste em mostrar, um pouco das pessoas que levam o nome da cidade por todos os cantos do mundo, bem como se destacam no próprio município, com seus empreendimentos, talento, simplicidade e carisma.

E dessa vez vamos contar a história de uma pessoa que está muito ligada a área da Cultura da cidade, e, principalmente, tem uma linda experiência com a parte Central de Cravinhos, em especial a Rua XV de Novembro, em que um dia foi o local de todos os eventos da cidade. Hoje o nosso bate-papo é com a servidora municipal e, atualmente, diretora municipal de Cultura, Maria Fernanda Molezini.

Ela sempre quis fazer faculdade de Publicidade e Propaganda e estar no meio das pessoas, mas também foi esportista, e claro esteve envolvida com a arte, através de esculturas que lhe rendeu até prêmio.

“Sempre quis cursar Publicidade e Propaganda, prestei vestibular passei, mas naquele momento não tive condições de cursar a faculdade que era particular. Trabalhei como secretária, animadora de festinha infantil [risos], cerimonialista, organizadora de festas e vendedora. Joguei basquete, fui junto com o time campeã estadual em 1983, fiz vários cursos de artes, e tenho um prêmio em escultura na XV Exposição de Arte Simonense em 1990”, conta a diretora de Cultura de Cravinhos, Fernanda Molezini.

Maria Fernanda Molezini tem 31 anos dedicados à Prefeitura Municipal de Cravinhos
Foto: Arquivo Pessoal

Fernanda tem 53 anos e desses 31 são dedicados a administração municipal de Cravinhos, mas antes de entrar na Prefeitura, ainda esteve envolvida com a área da Educação.

“Fui proprietária de uma escolinha infantil por cinco anos, até que em 1990 fui aprovada em concurso público na Prefeitura Municipal, e hoje me sinto feliz trabalhando no que eu gosto e me identifico”, revela Fernanda.

E nessa semana nossa equipe de reportagem teve uma conversa bem legal com a Fernanda Molezini, pessoa ilustre do Centro da cidade, que pôde nos falar um pouco da política, eventos, a tradicional Rua XV de Novembro, a Cultura de Cravinhos e muito mais. Acompanhe!

“A vida é um eterno aprendizado, aprendemos a cada dia”
Foto: Arquivo Pessoal

InterTV Web – Viveu muitos momentos da política da cidade. O que aprendeu com isso?

Maria Fernanda Molezini – A vida é um eterno aprendizado, aprendemos a cada dia. Aprendi que o Servidor Público precisa ser respeitado, valorizado, sem ele a máquina administrativa não existe, o município não “anda”. Claro que toda regra tem sua exceção, mas é preciso valorizar o servidor que trabalha dignamente, cumpre seus deveres, exerce a função a que se propôs com competência e não meritocracia. Valorização e Respeito

InterTV Web – Seus pais sempre estiveram muito envolvidos com a história da cidade. Qual a história mais marcante que você tem com Cravinhos?

Maria Fernanda Molezini – Minha família é tradicional de Cravinhos, meu avô paterno –  Victório Molezini era seleiro, aliás o mais famoso de toda região, um verdadeiro artesão, cada sela era única e exclusiva. Passou o ensinamento ao meu pai Altino, muito conhecido como “DIMDIM” que deu continuidade ao seu trabalho e também adicionou a tapeçaria – foram mais de 70 anos de tradição e trabalhos realizados sempre na Rua XV de Novembro. Minha avó Dona Mariquinha era uma mulher de pulso, comandava toda família, contava histórias e causos, era uma pessoa maravilhosa e muito sábia.  Meu avô materno José dos Santos, era famoso – o Zé Manella. Um folião nato, amava carnaval e samba. Adorava uma bela festa. Foi zelador por muitos anos do CAC (Clube Atlético de Cravinhos). Minha avó Natalina Vessi quando moça era Rainha do Carnaval e minha mãe Zilda sempre foi mestra na arte culinária, fez muitos bolos de casamentos aqui em Cravinhos, daqueles que tinham quase 2 metros de comprimento. Acho que vem daí, “tá no sangue” minha paixão por Cultura, alegria e festa [risos].

InterTV Web – Você viveu muitos Carnavais de Cravinhos. Qual mais te marcou?

Maria Fernanda Molezini – Eram carnavais disputadíssimos. Mas um em especial ficou na memória. Foi em 1983 (acho…rs) uma disputa bem grande entre os blocos: “Coisa Acesa”, “Quebra Pedra” e o “Contagiante”, o qual eu participava. Era lindo ver a união entre as equipes, a dedicação de cada um na confecção de sua fantasia, a alegria de todos era contagiante [risos]. Nesta época a disputa era muito levada a sério. Nossa fantasia foi a campeã era “O Zodíaco”, e foi idealizada e confeccionada pelo artista plástico Paulo César Chaves, que eternizou mais um dentre seus grandes trabalhos. Era lindo ver o salão de baile todo tomado de gente fantasiada, era chic, glamoroso, divertido era tudo de bom. Não posso deixar de mencionar também a República da Tia Virinha, irreverente e inesquecível. Foram memoráveis carnavais.

República da “Tia Virinha” era uma das mais tradicionais do Carnaval de Cravinhos
Foto: Arquivo Pessoal

InterTV Web – Se pudesse escolher algo para ser retomado em Cravinhos, o que escolheria?

Maria Fernanda Molezini – Com certeza escolheria a volta das boates da época. A Baiuka, a Shadows, a Ellos Disco Clube, O Trem Q Pula. Nossa!!! Era uma delícia. Encontrar amigos, fazer amizades, dançar, tomar uns drinks…e é claro “paquerar” muito. Eram noites deliciosas, eventos memoráveis onde se reuniam várias pessoas daqui e de fora. Ah, como era bommmmmm.

InterTV Web – Atualmente está como diretora da Cultura. O que tem mais orgulho de ter realizado nesse tempo?

Maria Fernanda Molezini – Desde 2009 quando fui para a Cultura como diretora, senti a necessidade de abrir as portas desta casa tão linda, inspiradora e palco de tantas histórias a todos os artistas de nossa cidade, principalmente, aqueles que não tinham oportunidade de mostrar seu trabalho. Assim foi feito. Vários artistas de nossa cidade tiveram e têm seu trabalho reconhecido. Tornaram público sua arte e seu talento.

Atualmente já passaram pela Casa Libaneza mais de 60 artistas, somente em exposições. Inclusive a participação no Mapa Cultural Paulista (um antigo concurso de artes promovido pelo governo estadual) de 2009 a 2013, com artistas cravinhenses selecionados e premiados. Foram muitas conquistas ao longo de 12 anos de trabalho dedicados a Cultura e, atualmente, ao Turismo também.

Em 2020 tivemos a Lei Aldir Blanc, que foi por nós da equipe da Cultura e do Conselho de Políticas Culturais tratada com respeito, responsabilidade e comprometimento. Conseguimos utilizar todo o recurso repassado a classe artística. Foram mais de 90 artistas comtemplados. Fruto de um trabalho sério e de muita dedicação de todos os envolvidos e que pode “socorrer” a classe artística tão afetada com toda esta situação que vivenciamos. A Cultura, assim como o Turismo estão em plena ascensão e me sinto orgulhosa de poder colaborar com este momento. Não existe vida sem arte e sem Cultura.

Fernanda Molezini sempre esteve envolvida nos tradicionais carnavais de Cravinhos, bem como em todos os eventos culturais
Foto: Arquivo Pessoal

InterTV Web – O que Cravinhos significa em sua vida?

Maria Fernanda Molezini – Cravinhos significa minha vida, minha história, eu amo este lugar. Cravinhos é bom demais.

InterTV Web – O que a Rua XV de Novembro significa em sua história?

Maria Fernanda Molezini – Toda minha vida foi e é vivida na Rua XV. Nasci, cresci, tive os melhores vizinhos que se poderiam ter, pessoas incríveis. Cada história que se contar daria um belo livro. A Rua XV é referência. A Rua XV é VIDA!

InterTV Web – Se pudesse dar um presente para Cravinhos, qual seria?

Maria Fernanda Molezini – A minha eterna gratidão em poder viver aqui.

“Era lindo ver a união entre as equipes, a dedicação de cada um na confecção de sua fantasia, a alegria de todos”
Foto: Arquivo Pessoal

InterTV Web – Como tem encarado essa pandemia sem eventos presenciais em Cravinhos?

Maria Fernanda Molezini – Tem sido muito difícil. É assustador para o ser humano viver tudo que estamos vivendo. Mas acredito que em breve, tudo no seu tempo poderemos retomar de uma nova forma os eventos tão importante para todos. Pois geram renda, a economia gira, fomenta a arte e promove uma boa qualidade de vida a todos, pois necessitamos de alegria.

InterTV Web – Suas considerações finais.

Maria Fernanda Molezini – Agradeço a toda equipe da InterTV Web pela oportunidade. Foi muito bacana participar deste projeto.

Kennedy Oliveira

É formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pelas Faculdades COC (atualmente Estácio). É pós-graduado em Comunicação: linguagens midiáticas, pelo Centro Universitário Barão de Mauá.

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