‘Deus nos ajude a vencer este momento de delicada situação com sabedoria e responsabilidade’

O padre José Humberto Motta (Pe. Beto), foi empossado como primeiro pároco da Paróquia Santa Luzia em 13 de dezembro de 2000, e já são 21 anos de dedicação a comunidade.

Hoje (08/08) apresentamos a 39ª história da nossa série de reportagens “Personagens de Cravinhos”. O projeto consiste em mostrar, um pouco das pessoas que levam o nome da cidade por todos os cantos do mundo, bem como se destacam no próprio município, com seus empreendimentos, talento, simplicidade e carisma.

E dessa vez vamos contar a história do padre José Humberto Motta, mais conhecido como Padre Beto, 49 anos, que é natural da cidade de Ipiaçu (MG) e começou os estudos no Seminário ao final do Segundo Grau. Fez Filosofia e Teologia no Seminário Maria Imaculada, em Brodowski (SP) e, já como padre auxiliar (Vigário Paroquial) em Pontal (SP), cursou Especialização e Mestrado em Teologia, na Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção (PUC) na cidade de São Paulo.

“Por 18 anos fui professor na Faculdade de Teologia da Arquidiocese de Ribeirão Preto, encerrando a carreira acadêmica no ano de 2019 para caminhar em novos planos pessoais”, diz Padre Beto.

“A sensação é de que ainda estou começando, embora esteja na Paróquia a quase 21 anos e muito feliz”
Foto: Rafael Fernandes

Ele foi empossado como primeiro pároco da Paróquia Santa Luzia de Cravinhos no dia 13 de dezembro de 2000.

“Na mesma data, foi criada a Paróquia Santa Luzia, desmembrada da Paróquia São José. Desde então começamos a reestruturar a comunidade em sua vida pastoral e espiritual e também a construir o necessário para sua estrutura física”, explica Padre Beto.

E nessa semana a nossa equipe de reportagem esteve com o Padre Beto, em que pudemos ter um bate-papo bem descontraído, e ele pôde contar um pouco de sua vida, projetos e claro falar do momento atual da Igreja Católica. Acompanhe!

“Tantos peregrinos da fé passando pela comunidade é motivo de muita alegria e orgulho”
Foto: Arquivo Pessoal

InterTV Web – Em qual momento de sua vida, decidiu por ser padre?

Padre Beto – Aos 18 anos quando convivi com outros seminaristas e padres que estavam em Missão na minha cidade natal.

 

InterTV Web – Se não fosse padre o que gostaria de ser?

Padre Beto – Profissional da Comunicação (jornalista ou ator).

 

InterTV Web – Sua família sempre apoiou a sua decisão em ser padre?

Padre Beto – Não. Isso aconteceu com o passar do tempo. Demorou bastante.

 

InterTV Web – Atualmente você está à frente da Paróquia de Santa Luzia, em Cravinhos. Qual a sensação? Encontrou alguma dificuldade com essa comunidade?

Padre Beto – A sensação é de que ainda estou começando, embora esteja na Paróquia a quase 21 anos e muito feliz. As dificuldades foram e são muitas, por conta da diferença de pensamentos, opiniões e comportamentos. No entanto, as facilidades e felicidades superam muito as dificuldades.

“Dentre tantos momentos marcantes, elejo o dia em que fui empossado como primeiro pároco da Paróquia Santa Luzia de Cravinhos”
Foto: Arquivo Pessoal

InterTV Web – As Igrejas dos Três Reis Santos e também a de Nossa Senhora estão sob seu comando. Como tem sido o trabalho nessas duas comunidades?

Padre Beto – É um trabalho muito simples, mas de grande importância no processo de evangelização das pessoas que compõem as comunidades. São pessoas com grande capacidade de trabalho e muito acolhedoras. As comunidades são pequenas, porque estão muito próximas das outras comunidades, mas com excelência e profunda dedicação à missão.

Dentre as atividades que são realizadas estão as orações e missas semanais, reuniões de grupos maiores (relacionados à paróquia) e de grupos menores (relacionados à própria comunidade).

 

InterTV Web – Atualmente tem realizado uma grande reforma na Paróquia Santa Luzia. Tem tido o respaldo de seus fiéis? Quais as próximas etapas?

Padre Beto – O respaldo da comunidade é enorme, se assim não fosse, a reforma não teria caminhado tanto em tão pouco tempo. As próximas etapas são a pintura externa e a instalação dos vitrais artísticos que substituirão os blocos de vidros instalados nas paredes voltadas para a Avenida Pedro Amoroso.

 

InterTV Web – Como é ter a Paróquia Santa Luzia também como um dos pontos do Caminho da Fé?

Padre Beto – É uma graça de Deus. Tantos peregrinos da fé passando pela comunidade é motivo de muita alegria e orgulho.

 

InterTV Web – Como surgiu a ideia do sino para os peregrinos do Caminho da Fé?

Padre Beto – Foi uma ideia da, então primeira-dama e secretária da cultura, Andréa Gaspar, como meio de acolher os peregrinos (turistas) em nossa cidade e, consequentemente, em nossa comunidade.

InterTV Web – A igreja católica teve que se adaptar devido a Pandemia de Covid-19. Quais as principais atitudes que tomou em sua comunidade?

Padre Beto – Limitação da quantidade de participantes nas celebrações conforme protocolo das autoridades sanitárias. Uso de álcool na higienização das mãos na entrada da igreja e durante as celebrações pelas pessoas que atuam durante as mesmas. Medição da temperatura corporal ao entrar no templo. Distanciamento entre as pessoas no interior da igreja com isolamento alternado dos bancos e cancelamento dos filtros de água e orientação para uso restrito dos sanitários.

 

InterTV Web – Qual a análise que faz de toda essa Pandemia?

Padre Beto – Foi uma manifestação da natureza que aniquila parte da humanidade, gerando muitas perdas e, consequentemente, muita dor emocional em todos nós.

Infelizmente o enfrentamento não está condizente com a gravidade do momento, nem pelas autoridades competentes nem pela população em geral. Só se dá conta da gravidade do momento quando a pandemia atinge alguém próximo ou à própria pessoa.

Deus nos ajude a vencer este momento de delicada situação com sabedoria e responsabilidade.

 

InterTV Web – Durante a Pandemia houve o aumento da procura de pessoas pela Igreja?

Padre Beto – Houve sim. A saúde psíquica de algumas pessoas foi diretamente afetada e a espiritualidade se revelou uma grande e forte aliada no enfrentamento da mesma.

InterTV Web – Qual a sua opinião quanto ao uso de tecnologia pelos párocos?

Padre Beto – É de grande utilidade. Essa é a parte boa e brilhante da tecnologia atual, pois, nos permite manter o elo humano e espiritual. Ajuda muito a manter a espiritualidade da união e comunhão entre os irmãos da mesma Profissão de Fé quando somos impedidos de nos reunir presencialmente.

 

InterTV Web – Qual o momento mais marcante que teve depois de sua ordenação?

Padre Beto – Difícil de dizer porque já são 23 anos de ministério. Mas, dentre tantos momentos marcantes, elejo o dia em que fui empossado como primeiro pároco da Paróquia Santa Luzia de Cravinhos. Aquele momento foi muito forte porque eu sentia a dor da saída da Paróquia São Lourenço de Pontal e, ao mesmo tempo, a acolhida fervorosa da comunidade de Cravinhos.

 

InterTV Web – O que a cidade de Cravinhos significa pra você?

Padre Beto – Depois de quase 21 anos morando em Cravinhos me sinto em casa. Amo essa cidade.

“Depois de quase 21 anos morando em Cravinhos me sinto em casa. Amo essa cidade”
Foto: Arquivo Pessoal

InterTV Web – Qual a história mais marcante que você tem com Cravinhos?

Padre Beto – O dia em que recebi o título de Cidadão Cravinhense em 16 de dezembro de 2005. Um reconhecimento dos representantes do nosso povo me acolhendo como pessoa integrante da comunidade local.

 

InterTV Web – Qual a mensagem que deixa para população cravinhense?

Padre Beto – Que cada cravinhense ame essa cidade. Aqui acontece nossa vida e nossa história e, por isso, precisamos muito valorizar e apreciar o que temos: nossa cultura, nossa história e nosso futuro. Embora tenhamos muita coisa a melhorar, este é o lugar no qual projetamos nossa vida futura e buscamos realizar nossos planos da melhor maneira possível. Confiar em Deus e buscar, com Ele, aprofundar nossos elos de cidadania e fraternidade.

InterTV Web – Suas considerações finais.

Padre Beto – Agradeço o convite e a matéria com a qual pude me expressar e lançar um olhar histórico e projetivo na minha relação com a comunidade de fé, que me foi confiada, e com os concidadãos cravinhenses. Deus abençoes e ilumine cada pessoa que faz parte desta história.

Foto: Arquivo Pessoal

Kennedy Oliveira

É formado em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo pelas Faculdades COC (atualmente Estácio). É pós-graduado em Comunicação: linguagens midiáticas, pelo Centro Universitário Barão de Mauá.

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